Caos em Novo Lino: Impasse por verbas entre Prefeita e Câmara culmina em bloqueio da BR-101 e paralisação do transporte universitário

03 de setembro de 2026 às 16:19
Política

Foto: reprodução

Por Redação

A escalada do conflito político em Novo Lino transbordou da arena legislativa para a infraestrutura rodoviária do estado. Na tarde desta quinta-feira (3/9), manifestantes fecharam totalmente o tráfego de veículos na BR-101 por volta das 14h, paralisando o fluxo em um dos principais corredores de transporte de Alagoas. A interdição é o desdobramento direto da crise orçamentária entre a prefeita Marcela Gomes de Barros (MDB) e a Câmara Municipal, que já havia atingido ponto crítico no período da manhã.

O estopim para o bloqueio da rodovia está diretamente ligado ao esgotamento dos recursos públicos para a manutenção dos serviços essenciais no município. Como os sete vereadores que compõem a maioria da Casa se recusaram a aprovar o projeto de suplementação orçamentária — que prevê a liberação de até 30% do orçamento municipal às vésperas do período eleitoral sem o detalhamento da destinação das verbas —, os contratos de fornecimento foram afetados. Sem a assinatura da autorização legislativa, a gestão municipal zerou o crédito para o abastecimento da frota de veículos públicos, o que interrompeu imediatamente a circulação dos ônibus escolares e universitários.

A paralisação do transporte deixou dezenas de estudantes de Novo Lino sem condições de deslocamento para as faculdades e centros universitários da região. O impacto do bloqueio na BR-101 alastrou-se rapidamente para os municípios vizinhos: acadêmicos de cidades circunvizinhas que dependem da rodovia federal para acessar suas instituições de ensino também ficaram retidos no engarrafamento ou tiveram suas viagens canceladas pelas prefeituras locais diante do fechamento da pista.

A crise tomou contornos dramáticos após a divulgação de vídeos em que a gestora emedebista convocava servidores contratados para pressionar o Poder Legislativo. Na mensagem distribuída às equipes, a presença de todos foi classificada como "indispensável" sob a justificativa de defender a manutenção dos próprios empregos. Em discurso inflamado e marcado por apelos religiosos aos trabalhadores, a prefeita pediu orações para retirar "demônios do caminho", o que resultou no cerco da sede da Câmara Municipal por uma multidão de populares e funcionários públicos ainda durante a manhã.

Diante do racha entre o Executivo e os parlamentares — que exigem o envio de planilhas detalhadas antes de autorizar o remanejamento milionário —, a população enfrenta o desmonte imediato do transporte e o risco iminente de suspensão de serviços básicos de saúde e benefícios sociais. Equipes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) acompanham o protesto na BR-101, enquanto os estudantes e moradores aguardam um desfecho institucional que restabeleça os serviços essenciais no município.