“Passei dois dias com ele morto na barriga”, denuncia gestante transferida sem leito em Alagoas

03 de setembro de 2026 às 15:14
Polícia

Foto: reprodução

Por Francês News

Uma gestante de Penedo denunciou ao Francês News uma sequência de problemas no atendimento recebido após ser transferida do Hospital Regional de Penedo para a Maternidade Escola Santa Mônica, em Maceió. Gleisiane afirma que viajou sentindo contrações, chegou à capital sem encontrar leito disponível e permaneceu durante horas em uma cadeira na recepção.

A transferência ocorreu depois que exames identificaram uma elevação na taxa de glicose da paciente. Segundo Gleisiane, a justificativa apresentada foi de que ela precisaria receber medicação na capital.

“Fui o caminho todinho sentindo contração. Fiquei até quatro e pouco da manhã na recepção, na cadeira da recepção”, relatou.

A paciente afirma que exames de sangue foram coletados ainda na recepção e questiona as condições em que o procedimento foi realizado. Após receber insulina, ela foi encaminhada para fazer um ultrassom. Foi durante o exame que recebeu a notícia de que o bebê estava morto.

Gleisiane contou que chegou à Santa Mônica sem uma vaga previamente assegurada. Além de relatar o próprio sofrimento, a paciente afirmou ter encontrado outras gestantes nos corredores da unidade.

“Atendimento horrível e gestantes no corredor”, declarou.

Depois da confirmação do óbito fetal, Gleisiane esperava que a retirada do bebê fosse realizada com urgência. Segundo ela, entretanto, o procedimento não foi feito imediatamente por falta de leito.

“Fui atrás do médico, chamei a atenção porque até aquela hora eu não tinha feito. Ele disse que não tinha leito, que o problema era que não tinha vaga”, contou.

A gestante afirma que permaneceu durante dois dias com o bebê morto no útero. A cesárea teria sido realizada somente na sexta-feira, depois que a irmã passou a cobrar uma providência da equipe médica.

“Eu passei dois dias com ele morto na barriga. Vieram fazer na sexta-feira uma cesárea porque a minha irmã foi em cima deles”, afirmou.

Após o procedimento, de acordo com a denúncia, Gleisiane teria ficado em uma maca no corredor por causa da falta de vagas na maternidade.

O relato também levanta dúvidas sobre a transferência do Hospital Regional de Penedo para Maceió. A paciente suspeita que tenha sido encaminhada sem a confirmação prévia de um leito na Santa Mônica e questiona a condução adotada pelas duas unidades.

“A primeira falta de cuidado já foi aqui”, afirmou a irmã de Gleisiane, ao se referir ao atendimento prestado em Penedo.

A família também questiona quais avaliações foram realizadas antes da viagem, as informações repassadas sobre as condições do bebê e a ausência de uma vaga garantida na unidade de referência.

Além dos problemas relatados durante a internação, a irmã da paciente acusou um funcionário da Santa Mônica de manusear o corpo do bebê de forma brusca e desrespeitosa após a cesárea.

“Ele jogou como se fosse qualquer porcaria no chão”, relatou a tia.

Segundo a família, a cena aumentou o sofrimento provocado pela perda. A conduta denunciada ainda precisa ser apurada, com a identificação dos profissionais que estavam de plantão e a verificação dos protocolos utilizados no transporte do corpo.

O depoimento de Gleisiane, isoladamente, não permite concluir que houve negligência médica nem estabelecer quando ocorreu o óbito fetal ou se alguma conduta contribuiu para a morte. Essas respostas dependem da análise dos prontuários, exames, registros da regulação, pedido de transferência e avaliação técnica da assistência prestada.