Alagoas continua entre os estados mais violentos do país, aponta boletim da Sudene

30 de novembro de 2025 às 10:54
Política

Foto: Edvan Ferreira

Por Francês News

Mesmo após dez anos de redução nos índices de homicídios, Alagoas continua ocupando um dos piores lugares do país quando o assunto é violência letal. O boletim “Um Retrato do Brasil e do Nordeste (2013-2023)”, publicado pela Sudene, evidencia que o governo estadual não conseguiu transformar a queda num patamar seguro para a população.

Para 2023, Alagoas apresentou uma taxa de 35,3 homicídios por 100 mil habitantes, número muito superior ao índice nacional de 21,2 e também acima da média do próprio Nordeste, que ficou em 32,1. O dado coloca o estado novamente em posição de alerta, evidenciando que a violência letal segue em níveis críticos, afetando especialmente populações vulneráveis.

A letalidade por armas de fogo também mantém Alagoas entre os piores cenários do país. A Sudene mostra que, em 2023, a região Nordeste respondeu por metade dos homicídios por arma de fogo do Brasil, e Alagoas se mantém como um dos estados mais dependentes desse tipo de violência para explicar sua taxa de mortes.

O quadro se agrava quando se observa quem mais morre. A juventude segue sendo o principal alvo da violência. Em Alagoas, jovens entre 15 e 29 anos enfrentam uma taxa alarmante de 79,50 homicídios por 100 mil habitantes. Embora menor que a de anos anteriores, o número continua extremamente alto e revela que o estado não conseguiu proteger sua população mais jovem.

As desigualdades raciais também permanecem marcantes. A maioria das vítimas em Alagoas continua sendo formada por pessoas negras, mostrando que a violência letal segue o mesmo padrão estrutural que marca o Brasil: a cor da pele ainda determina quem vive e quem morre.

No recorte de gênero, o relatório lembra que, apesar de oscilações anuais, a mortalidade de mulheres segue elevada no Nordeste como um todo e que Alagoas integra esse cenário historicamente crítico. A década analisada mostra que a violência contra mulheres continua sendo um desafio persistente, mesmo com variações nos números absolutos.

Entre crianças de 0 a 4 anos, a Sudene chama atenção para a vulnerabilidade extrema da faixa etária. Embora haja registros formais de ausência de homicídios infantis em 2023, o cenário nacional revela uma realidade de risco, e especialistas alertam que subnotificações e violência doméstica permanecem como fatores que exigem vigilância constante — especialmente em estados como Alagoas.