Alagoas continua entre os estados mais violentos do país, aponta boletim da Sudene
Por Francês News
Mesmo após dez anos de redução nos índices de homicídios, Alagoas continua ocupando um dos piores lugares do país quando o assunto é violência letal. O boletim “Um Retrato do Brasil e do Nordeste (2013-2023)”, publicado pela Sudene, evidencia que o governo estadual não conseguiu transformar a queda num patamar seguro para a população.
Para 2023, Alagoas apresentou uma taxa de 35,3 homicídios por 100 mil habitantes, número muito superior ao índice nacional de 21,2 e também acima da média do próprio Nordeste, que ficou em 32,1. O dado coloca o estado novamente em posição de alerta, evidenciando que a violência letal segue em níveis críticos, afetando especialmente populações vulneráveis.
A letalidade por armas de fogo também mantém Alagoas entre os piores cenários do país. A Sudene mostra que, em 2023, a região Nordeste respondeu por metade dos homicídios por arma de fogo do Brasil, e Alagoas se mantém como um dos estados mais dependentes desse tipo de violência para explicar sua taxa de mortes.
O quadro se agrava quando se observa quem mais morre. A juventude segue sendo o principal alvo da violência. Em Alagoas, jovens entre 15 e 29 anos enfrentam uma taxa alarmante de 79,50 homicídios por 100 mil habitantes. Embora menor que a de anos anteriores, o número continua extremamente alto e revela que o estado não conseguiu proteger sua população mais jovem.
As desigualdades raciais também permanecem marcantes. A maioria das vítimas em Alagoas continua sendo formada por pessoas negras, mostrando que a violência letal segue o mesmo padrão estrutural que marca o Brasil: a cor da pele ainda determina quem vive e quem morre.
No recorte de gênero, o relatório lembra que, apesar de oscilações anuais, a mortalidade de mulheres segue elevada no Nordeste como um todo e que Alagoas integra esse cenário historicamente crítico. A década analisada mostra que a violência contra mulheres continua sendo um desafio persistente, mesmo com variações nos números absolutos.
Entre crianças de 0 a 4 anos, a Sudene chama atenção para a vulnerabilidade extrema da faixa etária. Embora haja registros formais de ausência de homicídios infantis em 2023, o cenário nacional revela uma realidade de risco, e especialistas alertam que subnotificações e violência doméstica permanecem como fatores que exigem vigilância constante — especialmente em estados como Alagoas.