Passagem de R$ 100 por semana leva estudantes a abandonar faculdade em União dos Palmares
Por Francês News
Estudantes de União dos Palmares denunciam que o custo do transporte para universidades em Maceió e instituições de ensino de outros municípios está provocando trancamentos, perda de períodos e abandono de cursos. Relatos e mensagens encaminhados ao Francês News mostram famílias gastando entre R$ 240 e R$ 800 por mês apenas para garantir o deslocamento até as aulas.
Na rota entre União dos Palmares e Maceió, a Edtur elevou a cobrança semanal de R$ 90 para R$ 100. A empresa atribuiu o reajuste ao aumento do diesel e aos custos de manutenção e operação. Segundo o comunicado confirmado pela transportadora, o combustível teria passado da faixa de R$ 6,60 a R$ 6,80 para valores entre R$ 7,40 e R$ 7,80 por litro.
Com o novo preço, cada estudante desembolsa pelo menos R$ 400 em um período de quatro semanas. Em uma família com dois universitários, a despesa chega a R$ 800.
Alunos relatam abandono de cursos
Uma estudante de Enfermagem, bolsista integral do Programa Universidade para Todos (Prouni), contou que precisou parar de frequentar as aulas durante o período 2026.2. Embora não pagasse mensalidade, os R$ 400 mensais com transporte, somados às despesas com alimentação, cópias e trabalhos acadêmicos, tornaram a permanência inviável.
“Estou trancando o curso com o maior medo de perder a minha bolsa, que conquistei com tanto esforço”, relatou.
Outro estudante afirmou ter perdido um período na Universidade Federal de Alagoas (Ufal) depois de deixar de comprar as passagens. Ele pagava R$ 75 por semana pelo transporte da Associação dos Discentes Universitários Palmarinos (Adup). O valor teria sido reduzido temporariamente para R$ 60, mas sem garantia de manutenção.
“Não tenho pretensão de voltar para a Ufal tendo que tirar dinheiro do bolso para me deslocar. Minha volta só acontece se o ônibus for gratuito”, declarou.
Uma mãe solo, responsável por dois filhos com Transtorno do Espectro Autista (TEA), também disse cogitar abandonar a graduação diante do reajuste. Já uma estudante de Arquitetura e Urbanismo afirmou receber menos de um salário mínimo e comprometer R$ 340 mensais com passagens.
Reclamações sobre ônibus e cobranças
Além dos preços, os estudantes relatam veículos com cadeiras quebradas, ausência de cintos de segurança, ar-condicionado sem funcionamento, sujeira e falhas mecânicas durante as viagens. Há ainda queixas de passageiros transportados em pé.
Outra denúncia envolve a suposta exigência de pagamento integral da semana mesmo quando o aluno não utiliza o serviço. Segundo os relatos, apenas atestado médico justificaria a ausência sem cobrança, e o não pagamento poderia provocar a perda da vaga. Essas condições ainda precisam ser esclarecidas pelas transportadoras.
Na rota entre União dos Palmares e o Instituto Federal de Alagoas (Ifal), em Murici, uma mãe informou que o valor semanal passou de R$ 50 para R$ 55 em outubro e, menos de 20 dias depois, subiu para R$ 60.
Programa prometido ainda é cobrado
Durante a campanha de 2024, o atual prefeito Júnior Menezes incluiu em seu plano de governo a criação do programa “Toca pra Universidade”, destinado a facilitar o deslocamento de estudantes matriculados em faculdades de outros municípios.
Os universitários afirmam que, quase dois anos depois, ainda não houve implantação do transporte gratuito ou de um subsídio municipal. Alguns defendem que a Prefeitura arque ao menos com 50% da passagem.
“Não estamos pedindo luxo ou privilégio. Estamos falando de acesso à educação, oportunidades e investimento no futuro dos jovens”, afirmou uma estudante.
O Francês News mantém espaço aberto para manifestação da Prefeitura de União dos Palmares, da Edtur, da Adup e dos demais prestadores mencionados nas denúncias.