Trump diz que pode “destruir o resto” do Irã e promete decisão em breve
Por Redação com agências
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que poderá ampliar as operações militares contra o Irã e declarou que uma decisão sobre os próximos passos do governo norte-americano será conhecida em breve. A ameaça foi feita nesta quinta-feira (5), durante uma entrevista a jornalistas no Salão Oval da Casa Branca.
Questionado sobre o futuro do programa nuclear iraniano, Trump disse que preferia não intensificar a destruição provocada pela guerra, mas não descartou novos ataques.
“Eu preferiria não destruir o resto do país, se possível. Mas talvez tenha que fazer isso”, afirmou o presidente norte-americano. Na sequência, acrescentou: “Vocês saberão em breve”.
Trump declarou ainda que o Irã precisaria de 25 anos para reconstruir o país e reafirmou que o governo dos Estados Unidos não aceitará que Teerã desenvolva uma arma nuclear.
Estados Unidos avaliam três caminhos
A declaração ocorreu depois de Trump reunir sua equipe de segurança nacional para discutir o futuro da operação contra o Irã. Entre as alternativas avaliadas estariam a retomada dos bombardeios, a manutenção da pressão econômica sobre o governo iraniano ou a construção de um acordo diplomático.
Trump não informou quais alvos poderiam ser atingidos nem apresentou um prazo exato para anunciar sua decisão. O Comando Central dos Estados Unidos estaria preparando opções para uma eventual retomada das operações, mas ainda não teria recebido uma nova ordem da Casa Branca.
Os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã em 28 de fevereiro. Teerã respondeu com ofensivas contra Israel e países do Golfo Pérsico que abrigam bases norte-americanas. O conflito também alcançou o Líbano e o Iêmen, envolvendo o Hezbollah e os houthis.
Irã envia proposta por intermédio do Catar
Enquanto Trump aumenta a pressão militar, o Irã encaminhou aos Estados Unidos uma proposta relacionada ao programa nuclear. O documento foi enviado por intermédio do Catar, segundo uma autoridade iraniana ouvida pela Reuters sob condição de anonimato.
A fonte afirmou que Washington analisa a proposta, mas não detalhou seu conteúdo. O governo iraniano condiciona a retomada das negociações ao cumprimento de sete exigências.
Entre as condições apresentadas por Teerã estão o fim das sanções norte-americanas, a liberação de ativos iranianos congelados e o pagamento de reparações pela guerra. O Irã também afirma que não reabrirá o Estreito de Ormuz nem retomará formalmente as negociações enquanto as exigências não forem atendidas.
Os Estados Unidos, por sua vez, defendem que o programa nuclear iraniano esteja incluído desde o início das conversas.
Enriquecimento de urânio permanece no centro da disputa
Uma das principais divergências envolve a insistência iraniana em enriquecer urânio dentro do próprio território. O material pode ser utilizado como combustível em usinas nucleares, mas, quando enriquecido em níveis elevados, também pode servir à fabricação de armas.
Teerã sustenta que seu programa tem finalidades pacíficas e que possui o direito de desenvolver tecnologia nuclear civil. Washington reconhece esse direito, mas afirma não confiar nas garantias de que o enriquecimento continuará restrito a fins civis.
Mediadores de Catar, Arábia Saudita, Turquia, Emirados Árabes Unidos, Omã e Egito intensificaram os contatos diplomáticos para impedir uma nova escalada. Ainda não há confirmação de uma reunião direta entre representantes dos Estados Unidos e do Irã.