Duas crianças morrem após procedimento simples no HGE e famílias denunciam negligência médica em Maceió
Por Redação
Duas tragédias com enredo idêntico e desfecho fatal no Hospital Geral do Estado (HGE), em Maceió, provocaram forte comoção e indignação nas redes sociais. A morte de duas crianças de pouca idade após a realização de trocas de sonda — um procedimento médico considerado simples, rápido e de rotina — desencadeou denúncias de imperícia e negligência contra a equipe da unidade de emergência.
A sequência de casos também reacendeu o debate sobre a superlotação crônica do HGE e levantou questionamentos sobre o papel do Hospital da Criança, inaugurado em abril de 2022 exatamente para absorver a demanda pediátrica da capital alagoana.
O primeiro drama ocorreu no mês de junho e vitimou o pequeno Richard Gabriel, de apenas 11 meses. A mãe do bebê, Gloria Omena, relatou que levou o filho ao HGE exclusivamente para efetuar a troca de uma sonda de gastrostomia, utilizada para a alimentação do menino.
Durante o atendimento na área vermelha, a equipe de enfermagem tentou introduzir três equipamentos diferentes antes da colocação final. O bebê não resistiu. O laudo médico confirmou que Richard teve o estômago perfurado durante as manobras de inserção. "Levei meu filho para ser atendido em um hospital e ele não voltou mais para mim. Quero justiça", desabafou a mãe.
A segunda morte com contornos semelhantes foi registrada no último dia 15 de setembro. A pequena Cecília Ferreira da Silva, de 2 anos, que tinha microcefalia e fazia uso de sonda há cerca de um ano, foi levada pela mãe, Williane da Silva Pereira, para a manutenção rotineira do equipamento. Horas após dar entrada na unidade hospitalar, a menina também não resistiu e morreu. Diante da gravidade do caso, a família registrou um Boletim de Ocorrência para que a Polícia Civil de Alagoas abra inquérito e apure as responsabilidades pelo óbito. "Quero saber o que aconteceu com minha filha", cobrou Williane.
As mortes consecutivas lançam holofotes sobre a gestão da saúde pública em Alagoas e escancaram a contradição no fluxo de atendimento pediátrico do estado. A população questiona abertamente os motivos de procedimentos ambulatoriais de baixa complexidade continuarem sendo canalizados para a área vermelha do HGE — uma estrutura voltada a traumas e urgências de grande porte —, em vez de serem absorvidos e acompanhados por equipes especializadas no Hospital da Criança.