Funcionários de presídio em Alagoas denunciam pressão para participar de atos de Renan Filho
Por Redação com Francês News
Funcionários ligados à operação do Presídio do Agreste, em Girau do Ponciano, denunciam que estariam sendo pressionados por superiores a participar de caminhadas, carreatas e outros eventos da campanha de Renan Filho (MDB) ao Governo de Alagoas.
O Francês News teve acesso a capturas de tela e a um vídeo com conversas atribuídas a um grupo de WhatsApp identificado como “Rumo a vitória”. Os registros mostram a divulgação de atos políticos, pedidos de apoio, organização de transporte e listas com dezenas de nomes.
As imagens comprovam a existência da mobilização eleitoral no grupo, mas não permitem concluir, isoladamente, que todos os participantes tenham sido coagidos. Nenhuma das mensagens analisadas apresenta ameaça explícita de demissão ou punição para quem deixasse de comparecer.
Funcionários ouvidos sob condição de anonimato, por medo de retaliação, afirmam que as listas seriam elaboradas por pessoas com atuação de chefia e que trabalhadores de folga — e até escalados para o plantão — estariam sendo chamados para os compromissos políticos.
Mensagem cita pedido de “secretário”
Em uma das conversas, um integrante escreve: “Secretário solicitou apoio para evento hoje em Batalha”. Logo depois, outra mensagem pede auxílio para realizar um “levantamento do pessoal” e acrescenta: “Para eu possa informá-lo”.
Na sequência, foi compartilhado o material de divulgação de um ato da campanha de Renan Filho marcado para 26 de agosto, na Praça da Matriz de Batalha.
Outros registros mostram uma “listagem de apoio” com 25 pessoas e uma lista posterior com pelo menos 32 nomes. O Francês News decidiu não publicar as identificações para preservar trabalhadores que podem ter sido incluídos sem consentimento ou que temem consequências profissionais.
Também aparece no grupo a pergunta sobre a presença de funcionários de Arapiraca. A resposta informa que haveria “transporte pra todo mundo”.
As mensagens não esclarecem quem é o “secretário” mencionado, quem providenciou o transporte ou se despesas com veículos e combustível foram custeadas pela empresa, por agentes públicos ou pela própria campanha.
Grupo divulgou atos em diferentes municípios
Além do evento em Batalha, as conversas contêm material da inauguração do comitê eleitoral de Renan Filho em Arapiraca, realizada em 28 de agosto.
Outro convite convoca apoiadores para uma carreata em Maribondo no dia 4 de setembro. A mensagem informa que seria organizada uma lista de participantes para definir a quantidade de veículos e de carros de apoio.
“A participação de cada um é muito importante para fazermos uma grande mobilização”, diz o texto compartilhado no grupo.
Alguns participantes responderam voluntariamente com expressões como “eu vou”, “estarei presente” e “vamos sim”. Essas manifestações indicam adesão de parte do grupo, mas não esclarecem a situação dos trabalhadores que não desejavam participar.
Demissão por adesivo de JHC também é denunciada
Uma das fontes afirma que um supervisor teria sido demitido depois de chegar ao Presídio do Agreste com um adesivo de JHC (PSDB), adversário de Renan Filho na disputa estadual, afixado em seu veículo.
A denúncia ainda não foi comprovada documentalmente. A reportagem não teve acesso ao termo de desligamento, à justificativa formal da dispensa ou a mensagens que relacionem diretamente a demissão à manifestação política.
A mesma fonte sustenta que veículos com adesivos de Renan Filho poderiam entrar normalmente no local. A alegação também depende de confirmação por meio de registros internos, imagens ou resposta oficial da administração.
Caso seja comprovada a utilização da relação de trabalho para constranger empregados a apoiar uma candidatura, a conduta poderá ser analisada como possível assédio eleitoral. A caracterização, entretanto, cabe aos órgãos competentes após apuração das circunstâncias e das provas.