UPA que funciona 24 horas tem macas quebradas, lixo e infiltrações em Alagoas
Francês News
Imagens registradas pelo Francês News mostram sinais de abandono e falta de manutenção na Unidade de Pronto Atendimento Dra. Helenilda Veloso Pimentel Canales, em Palmeira dos Índios, no Agreste de Alagoas.
As fotografias e os vídeos revelam macas danificadas mantidas na área externa, colchões rasgados e expostos ao tempo, móveis deteriorados, paredes com marcas de umidade, mato, água acumulada e grande quantidade de lixo armazenado nas dependências da unidade.
Em um dos registros, uma maca aparentemente quebrada está apoiada sobre uma pedra. Outra imagem mostra colchões empilhados sobre um móvel deteriorado. Também aparecem sacos plásticos, caixas, recipientes e embalagens de materiais utilizados em serviços de saúde acumulados em ambientes com paredes sujas e sinais de infiltração.
As condições registradas levantam questionamentos sobre a conservação dos equipamentos, o descarte de resíduos e a manutenção de uma unidade que recebe pacientes em situações de urgência e emergência.

Unidade funciona durante 24 horas
A UPA está localizada na Rua Bráulio Montenegro, na Vila Maria, e funciona 24 horas por dia, conforme as informações disponibilizadas pela Prefeitura de Palmeira dos Índios.
Além de atender moradores do município, a unidade recebe pacientes de outras cidades da região. Somente no primeiro semestre de 2026, foram realizados 24.742 atendimentos.
A situação estrutural preocupa especialmente por se tratar de um serviço que precisa manter condições adequadas de higiene, segurança e conservação para receber pacientes continuamente.
Ambientes com infiltrações, umidade, lixo acumulado e equipamentos abandonados podem favorecer o surgimento de insetos e outros vetores. A avaliação técnica sobre possíveis riscos sanitários, entretanto, deve ser realizada pelos órgãos responsáveis pela vigilância e fiscalização.

Problemas já haviam sido apontados pela Defensoria
Os registros surgem depois de a Defensoria Pública de Alagoas recomendar, em junho de 2026, a realização de uma reforma urgente na UPA.
A recomendação foi expedida após uma vistoria constatar problemas estruturais, sanitários e assistenciais. Entre as irregularidades apontadas estavam banheiros interditados, buracos, ferrugem, infiltrações, falhas no piso, portas danificadas e ausência de itens básicos para os pacientes, como lençóis e travesseiros.
A Defensoria também identificou número reduzido de profissionais diante da demanda da unidade. Segundo o levantamento divulgado na época, havia três médicos e cinco enfermeiros por turno, além de uma quantidade considerada insuficiente de técnicos de enfermagem, para uma procura diária superior a 200 pacientes.

Prefeitura havia anunciado intervenções
Após a recomendação, a Prefeitura de Palmeira dos Índios afirmou que realizava intervenções estruturais na unidade. Entre os serviços anunciados estavam a substituição da caixa d’água, a renovação da estrutura de sustentação, pintura e revitalização do prédio.
As novas imagens, contudo, mostram que permanecem problemas visíveis de conservação e acúmulo de materiais. A situação exige esclarecimentos sobre quais serviços foram efetivamente concluídos, o cronograma das obras e as medidas adotadas para retirar equipamentos e resíduos das áreas registradas.
Em junho, diante da superlotação, a direção da UPA também orientou que pacientes com sintomas leves procurassem as Unidades Básicas de Saúde. A unidade deveria ser reservada para casos de maior gravidade, urgência e emergência, segundo comunicado publicado pelo município.
