“Só quero cuidar dos meus filhos sem sentir dor”: Amanda cobra do Estado de Alagoas cumprimento de decisão judicial para cirurgia de R$ 319 mil
Por Ellen Gonzaga/Francês News
Há quase um ano, Amanda Carolyne, convive com dores que mudaram completamente sua rotina. Mãe de dois filhos, ela passou por consultas, exames e diferentes atendimentos médicos até descobrir um problema vascular que, segundo os laudos apresentados à reportagem do portal Francês News, exige a realização de uma cirurgia de urgência. Mesmo depois de recorrer à Defensoria Pública e conseguir uma decisão determinando que o Estado de Alagoas providencie ou custeie o procedimento, ela continua esperando.
Amanda relata que a cerca de um ano, começou a sentir dores intensas nas pernas sempre que permanece muito tempo em pé ou sentada. Segundo ela, o inchaço aumentou e veias mais grossas passaram a aparecer nas pernas, avançando para a região da virilha e da barriga. Para tentar controlar os sintomas enquanto aguarda a cirurgia, faz uso diário de anticoagulantes e utiliza meias de compressão.
A espera começou depois de uma sequência de consultas e exames em busca de uma explicação para as dores. Os exames apontaram uma veia da perna com 90% de obstrução e a necessidade de implantação de quatro stents, conforme os documentos médicos apresentados por Amanda à reportagem.
Devido ao quadro de saúde, ficou durante sete dias internada em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e, posteriormente, foi tranferida para o Hospital Geral do Estado (HGE). Segundo o relato dela, já no hospital, recebeu a informação de que se tratava de um procedimento de alto custo e que poderia permanecer internada por até três meses sem a garantia de conseguir realizar a cirurgia, correndo risco de infecções.
De acordo com Amanda, o próprio médico que a atendeu a aconselhou a buscar ajuda por meio da Defensoria Pública, pois, dessa forma, conseguiria tentar viabilizar a realização da cirurgia.
Sem condições financeiras para pagar pelo procedimento, a família procurou a Defensoria Pública de Alagoas. Em 29 de julho de 2026, a Justiça determinou que o Estado providenciasse ou custeasse a cirurgia no prazo de 15 dias. O Estado foi intimado, e o sistema judicial registrou o vencimento do prazo em 21 de agosto.
O prazo terminou, mas a cirurgia não foi realizada. Em 3 de setembro, o marido de Amanda, Jefferson Douglas, publicou um apelo nas redes sociais relatando que o procedimento ainda não havia acontecido e que o estado de saúde da esposa continuava preocupando a família.
Custo da cirurgia
Um orçamento obtido pela família junto à Santa Casa de Maceió estima o procedimento em R$ 295.285. O valor, segundo o documento, não inclui os honorários da equipe médica e do anestesista.
O orçamento foi buscado pela própria Amanda depois de ser informada de que precisaria apresentar valores para tentar avançar com o pedido judicial de bloqueio de recursos públicos destinado ao custeio do procedimento.
Para conseguir os documentos, ela procurou médicos e clínicas particulares. Em uma das tentativas, entrou em contato com um médico vascular que atende na rede particular e explicou que precisava do orçamento para apresentar à Defensoria Pública. A partir daí, conseguiu os valores necessários para instruir o pedido.
Sem alternativas na rede pública, o caso foi levado à 16ª Vara Cível. A urgência médica foi atestada pelo Núcleo de Apoio Técnico do Judiciário (NATJUS-AL), por meio de uma nota técnica.
O valor total da causa, fixado pela justiça ficou em R$ 319.474,00, custo foi estruturado com base nos orçamentos apresentados por Amanda.
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R$ 293.974,00 — custos de internação, materiais e OPME (stents) no Hospital Vida;
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R$ 20.000,00 — honorários da equipe médica cirúrgica principal;
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R$ 5.500,00 — honorários da equipe de anestesiologia (SIA).
A ordem judicial, no entanto, venceu em agosto de 2026 sem que o procedimento fosse agendado.


Enquanto aguarda a cirurgia pela via judicial, Amanda precisa lidar também com as dificuldades financeiras provocadas pelo próprio problema de saúde.
Ela faz trabalhos informais durante a tarde em uma pequena creche próxima de casa. O trabalho não tem carteira assinada, não garante uma renda fixa e, quando as dores pioram, ela não consegue comparecer.
A renda é usada para ajudar nas despesas, incluindo os medicamentos. Segundo ela, a mãe e o marido também ajudam a comprar os remédios.
Apesar das limitações, ela diz que continuar trabalhando também tem sido uma forma de lidar com a angústia provocada pela espera.
“Lá com eles a tarde passa rápido e nem penso tanto no problema. Em casa fico pensando muito, chorando muito, preocupada”, relatou.
A rotina que antes era comum também passou a ser limitada pelas dores. Ficar muito tempo em pé ou sentada se tornou difícil.
Enquanto aguarda a cirurgia, Amanda segue convivendo com as dores e o inchaço e tentando manter a rotina possível ao lado dos dois filhos e do marido.
Em uma das conversas com a reportagem, resumiu o que espera depois de quase um ano de incerteza:
“Só quero cuidar dos meus filhos sem sentir dor.”