Antes da Saúde, operação que atingiu Paulo Dantas investigava suposto desvio de R$ 54 milhões na Assembleia de Alagoas
Francês News
A crise envolvendo a utilização de recursos públicos em Alagoas não começou com as recentes operações que atingiram a Secretaria de Estado da Saúde. Em outubro de 2022, o então governador Paulo Dantas (MDB) foi afastado do cargo pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) durante uma operação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal que investigava um suposto esquema de desvio de R$ 54 milhões na Assembleia Legislativa de Alagoas.
Batizada de Operação Edema, a investigação apurava a existência de funcionários fantasmas e o suposto desvio de recursos públicos desde 2019. Segundo as informações divulgadas à época, os investigadores apontavam Paulo Dantas como um dos principais beneficiários do dinheiro que teria sido desviado.
A operação ocorreu em 11 de outubro de 2022, durante a campanha do segundo turno das eleições para o Governo de Alagoas. Dantas disputava a reeleição contra Rodrigo Cunha (União Brasil).
Dinheiro apreendido e afastamento
A Polícia Federal cumpriu 31 mandados de busca e apreensão em Alagoas e São Paulo. Entre os locais estavam a Assembleia Legislativa, a sede do governo estadual, imóveis de Paulo Dantas e endereços de familiares.
Segundo as informações da investigação, os agentes apreenderam R$ 100 mil em espécie na residência de Dantas, outros R$ 14 mil com o governador em um hotel em São Paulo e aproximadamente R$ 150 mil na casa de um cunhado.
A Justiça também determinou o sequestro de bens e valores dos investigados até o limite de R$ 54 milhões, correspondente ao montante que os investigadores suspeitavam ter sido desviado.
Paulo Dantas foi afastado do cargo por 180 dias. A decisão também determinou que os investigados não mantivessem contato entre si e não frequentassem os órgãos públicos relacionados à apuração.
Na época, Dantas classificou a operação como uma "encenação" e afirmou que recorreria da decisão.
Investigação apontava uso pessoal do dinheiro
Segundo a Polícia Federal, parte dos recursos supostamente desviados teria sido utilizada para despesas pessoais, pagamento de advogados, transferências para familiares e aquisição de bens.
A irmã de Paulo Dantas também aparecia entre os investigados.
As suspeitas envolviam crimes como organização criminosa, peculato e lavagem de dinheiro.
O caso ganhou forte repercussão porque ocorreu a poucos dias do segundo turno da eleição estadual e colocou a disputa pelo governo de Alagoas no centro de uma batalha jurídica e política.
Após o afastamento, o senador Renan Calheiros acusou a operação de possuir motivação política e afirmou que Alagoas seria vítima do uso político da Polícia Federal.
Um novo capítulo antes das operações na Saúde
A Operação Edema é importante para compreender a sequência política que antecedeu as investigações mais recentes envolvendo a administração estadual.
O caso ocorreu em 2022, ainda antes de Paulo Dantas assumir um mandato completo como governador eleito. Ele acabou vencendo Rodrigo Cunha no segundo turno daquele ano.
Já no governo Dantas, a Secretaria de Estado da Saúde voltou a entrar no radar de órgãos de investigação, desta vez em apurações relacionadas diretamente à aplicação de recursos públicos da área.
Em dezembro de 2025, a Operação Estágio IV, da Polícia Federal, investigou suspeitas de desvios de aproximadamente R$ 100 milhões em contratos da Saúde estadual firmados entre 2023 e 2025.
Em agosto de 2026, outra investigação, a Operação Ruptura, levou a PF ao Alto Sertão de Alagoas para apurar suspeitas de utilização de serviços do SUS em troca de apoio político e eleitoral.
Assim, a sequência revela diferentes investigações envolvendo estruturas públicas e grupos políticos de Alagoas ao longo dos últimos anos. São, porém, casos distintos, com objetos e períodos diferentes, e não há, nas informações apresentadas, elementos suficientes para afirmar que façam parte de uma única organização criminosa.