Assembleia de Alagoas já gastou R$ 142 milhões com gratificações de cargos em comissão em 2026
Francês News
A Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE) já empenhou R$ 142,63 milhões em gratificações pelo exercício de cargos em comissão nos primeiros seis meses de 2026. O valor registrado no balancete acumulado até junho é 33,4% superior à dotação inicial de R$ 106,93 milhões prevista para essa despesa ao longo de todo o ano.
Dos R$ 142,63 milhões empenhados, R$ 133,43 milhões já foram pagos até junho, segundo os dados do Siafe Alagoas analisados pelo Francês News.
A evolução dos gastos mostra crescimento significativo ao longo do primeiro semestre. Em janeiro, o valor acumulado empenhado nessa rubrica era de R$ 47,75 milhões. Em fevereiro, passou para R$ 70,62 milhões; em março, chegou a R$ 94,43 milhões. Em abril, alcançou R$ 118,23 milhões e, em maio, chegou a R$ 122,11 milhões. Em junho, o acumulado saltou para R$ 142,63 milhões.
O valor empenhado até junho representa aproximadamente 41% de todo o orçamento inicial da Assembleia para 2026, que é de R$ 332,57 milhões. Já os R$ 133,43 milhões pagos na rubrica correspondem a cerca de metade de tudo o que o Legislativo estadual desembolsou no primeiro semestre, quando os pagamentos acumulados chegaram a R$ 266,17 milhões.
O dado que mais chama atenção, porém, é a diferença entre a previsão inicial e a execução. A Assembleia havia reservado inicialmente R$ 106,93 milhões para gratificações de cargos em comissão, mas os empenhos registrados até junho já alcançaram R$ 142,63 milhões. A diferença é de aproximadamente R$ 35,70 milhões.
Os documentos analisados não permitem afirmar, isoladamente, qual foi a razão para a despesa superar a dotação inicial. Também não informam quantos servidores ocupam cargos comissionados, quantos recebem as gratificações ou qual é o valor individual pago a cada beneficiário.
Por isso, os números levantam uma série de questões sobre a composição da folha da Assembleia e sobre eventuais alterações orçamentárias realizadas durante o ano. Para identificar a origem dos R$ 142,63 milhões, será necessário cruzar os balancetes com a folha nominal, os atos de nomeação e exoneração e os créditos adicionais publicados no Diário Oficial.
Outro ponto que merece atenção é o ritmo de execução. Mais de R$ 133 milhões já foram efetivamente pagos até junho, enquanto ainda restavam seis meses para o encerramento do exercício financeiro.
A análise dos balancetes, portanto, revela uma concentração expressiva de recursos nessa rubrica, mas não permite concluir que tenha havido irregularidade. O próximo passo da apuração é identificar os beneficiários e verificar como a Assembleia chegou a um gasto superior à previsão inicial para a despesa.