"Manda o Pix, saca e entrega ao doutor": veja os áudios citados pela PF sobre supostos repasses ao secretário da Saúde de Alagoas
Francês News
O Francês News teve acesso, com exclusividade, aos áudios e mensagens transcritos no relatório da Operação Estágio IV, da Polícia Federal, que, segundo os investigadores, descrevem como funcionariam os supostos repasses de dinheiro envolvendo um fornecedor da Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (Sesau), o assessor Raul Pereira Lima e o então secretário da Saúde, Gustavo Pontes.
De acordo com a investigação, os diálogos reforçam a hipótese de que Raul atuava como operador financeiro do grupo, recebendo transferências via Pix, realizando saques em espécie e entregando os valores ao que os interlocutores chamam de "doutor", expressão que, segundo a Polícia Federal, faria referência a Gustavo Pontes.
Um dos principais trechos destacados pela Polícia Federal é um áudio atribuído ao empresário José Adelson Maciel de Moraes, proprietário da CHMMED Produtos Médicos Hospitalares Eireli.
Segundo a transcrição constante no relatório, em 6 de novembro de 2023, ele orienta Raul Pereira Lima a informar sua chave Pix para evitar a emissão de um cheque.
"Ô Raul, depois tu manda o teu Pix, que eu vou fazer o seguinte: em vez de dar um cheque para você ir descontar lá na Caixa Econômica, que é uma burocracia da porra ali, eu vou fazer um Pix pra tua conta e tu saca e entrega lá ao doutor."
Para a Polícia Federal, o diálogo é um dos elementos que sustentam a suspeita de que Raul intermediava a movimentação de recursos em benefício do grupo investigado.

Outro trecho citado pela PF mostra que, em 13 de novembro de 2023, José Adelson teria solicitado a Raul uma nova chave Pix.
Segundo a transcrição do relatório, o objetivo seria evitar que todas as transferências fossem realizadas para a mesma conta bancária.
A Polícia Federal afirma que essa conversa é interpretada como uma tentativa de reduzir a visibilidade das operações financeiras investigadas.
O relatório também transcreve um áudio de 9 de novembro de 2023, no qual José Adelson explica dificuldades para realizar grandes saques em espécie em razão das regras bancárias.
Segundo a conversa reproduzida pela Polícia Federal, ele afirma que havia feito uma provisão bancária para que Raul pudesse sacar aproximadamente R$ 40 mil, explicando que valores superiores exigiam programação prévia junto ao banco.
Ainda conforme o relatório, o empresário diz que o restante seria disponibilizado em outra data porque os bancos não liberariam toda a quantia no mesmo dia.

As mensagens reproduzidas pela investigação mostram ainda que, em 8 de novembro de 2023, Raul comunicou a Gustavo Pontes que José Adelson teria informado inicialmente que conseguiria liberar R$ 40 mil, mas depois enviou um comprovante de R$ 45 mil.
No dia seguinte, conforme a Polícia Federal, José Adelson pediu que Raul comparecesse à empresa para buscar um cheque. Em resposta, o assessor questionou se parte do valor poderia ser transferida por Pix.
Já em 14 de novembro, segundo o relatório, o empresário informou que encerraria a primeira etapa das transferências e dos saques naquele dia e que as operações seriam retomadas após o feriado de 15 de novembro.
Para a Polícia Federal, o conjunto dos áudios, mensagens, comprovantes bancários e demais documentos reunidos durante a Operação Estágio IV reforça a suspeita de que Raul Pereira Lima atuava como operador financeiro do grupo investigado, intermediando recursos que, segundo a investigação, seriam destinados ao então secretário da Saúde.

As conclusões fazem parte do inquérito policial e ainda serão submetidas ao contraditório e à apreciação do Poder Judiciário.
A defesa de Gustavo Pontes nega qualquer irregularidade e afirma que o inquérito apresenta nulidades processuais que serão analisadas pela Justiça.
Até o momento, não há condenação definitiva contra os investigados, que permanecem amparados pela presunção de inocência e pelos direitos ao contraditório e à ampla defesa.
O Francês News mantém espaço aberto para manifestações de Gustavo Pontes, Raul Pereira Lima, José Adelson Maciel de Moraes, da CHMMED e dos demais citados. Caso sejam encaminhados posicionamentos, esta reportagem será atualizada.