PF diz que assessor recebia Pix de fornecedor da Sesau para sacar e entregar dinheiro ao secretário da Saúde de Alagoas
Francês News
O Francês News teve acesso, com exclusividade, a novos trechos do relatório da Operação Estágio IV, da Polícia Federal, que apontam que o assessor Raul Pereira Lima recebia transferências via Pix de um fornecedor da Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (Sesau) para, segundo a investigação, sacar os valores em espécie e entregá-los ao então secretário Gustavo Pontes.
De acordo com o documento, Raul é apontado pelos investigadores como possível operador financeiro do grupo investigado por supostos desvios de recursos públicos na saúde estadual.

Segundo o relatório, mensagens encontradas durante a investigação mostram o empresário José Adelson Maciel de Moraes, proprietário da empresa CHMMED Produtos Médicos Hospitalares Eireli, orientando Raul Pereira Lima a fornecer uma chave Pix para o envio dos valores.
A Polícia Federal afirma que, nas conversas, José Adelson explica que preferia realizar transferências por Pix para evitar a burocracia relacionada ao saque de cheques.
Em outro trecho citado pela investigação, o empresário pede que Raul informe uma nova chave Pix, alegando que as transferências não poderiam continuar sendo feitas sempre para a mesma conta, "para evitar chamar atenção".

O relatório obtido com exclusividade pelo Francês News traz ainda comprovantes de transferências bancárias atribuídas à investigação.
Entre elas, constam três operações realizadas pela CHMMED em favor de Raul Pereira Lima:
- R$ 25 mil, em 6 de novembro de 2023;
- R$ 45 mil, em 8 de novembro de 2023, com a descrição "Compra de opme";
- R$ 25 mil, em 21 de novembro de 2023, também com a descrição "Compra de opme".
As imagens anexadas ao inquérito mostram os comprovantes das operações, nas quais a CHMMED aparece como pagadora e Raul Pereira Lima como recebedor.

Além dos comprovantes de Pix, a Polícia Federal afirma ter identificado transferências para terceiros, pagamentos relacionados a um imóvel e conversas sobre limites para saques em dinheiro.
Para os investigadores, o conjunto das mensagens e documentos reforça a hipótese de que Raul Pereira Lima atuava como operador financeiro do esquema, intermediando movimentações de recursos e a entrega de valores ao então secretário da Saúde.
Segundo a investigação, essas movimentações ocorreriam enquanto a CHMMED mantinha contratos milionários com a Sesau para o fornecimento de materiais hospitalares.
As conclusões apresentadas integram a investigação da Operação Estágio IV e ainda serão submetidas ao contraditório e à apreciação do Poder Judiciário.
A defesa de Gustavo Pontes nega a existência de irregularidades e sustenta que o inquérito apresenta nulidades processuais que serão analisadas pela Justiça.
Até o momento, não há condenação definitiva contra os investigados, que têm assegurados os direitos ao contraditório e à ampla defesa.
O Francês News mantém espaço aberto para manifestação de José Adelson Maciel de Moraes, Raul Pereira Lima, Gustavo Pontes, da CHMMED e dos demais citados. Eventuais posicionamentos serão incorporados a esta reportagem.