PF aponta que assessor sacava dinheiro em espécie e seguia para residência do secretário da Saúde de Alagoas
Francês News
O relatório da Polícia Federal que o portal Francês News obteve com exclusividade, sobre a Operação Estágio IV, detalha o monitoramento realizado sobre o assessor Raul Pereira Lima, apontado pelos investigadores como possível operador financeiro do grupo investigado por supostos desvios de recursos públicos na Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (Sesau).
De acordo com o documento, Raul foi acompanhado por equipes da Polícia Federal nos dias 5 e 7 de junho de 2024, quando se dirigiu a uma agência da Caixa Econômica Federal para, segundo a investigação, realizar saques em dinheiro em espécie. Os investigadores registraram ainda que ele utilizava uma Land Rover Defender, que, conforme consulta ao cadastro do veículo anexada ao inquérito, está registrada em nome do então secretário estadual da Saúde, Gustavo Pontes.

PF monitorou deslocamentos após saques
Conforme o relatório obtido pelo Francês News, no dia 5 de junho de 2024, Raul permaneceu no interior da agência bancária enquanto aguardava atendimento. Após deixar o local, passou por um supermercado e, em seguida, dirigiu-se ao Edifício Gran Marine, apontado pela Polícia Federal como residência de Gustavo Pontes.
Dois dias depois, em 7 de junho, a investigação relata que Raul retornou à mesma agência da Caixa, realizou novo saque em espécie e seguiu diretamente para a sede da Núcleo de Ortopedia e Traumatologia (NOT), empresa investigada na operação.
As imagens anexadas ao relatório mostram Raul chegando à agência da Caixa, aguardando atendimento no interior da unidade bancária, a Land Rover Defender utilizada durante os deslocamentos e o veículo estacionado em frente à clínica NOT logo após a saída da instituição financeira.

Investigação aponta atuação como operador financeiro
Segundo a Polícia Federal, os acompanhamentos reforçam a hipótese de que Raul Pereira Lima atuava como operador financeiro do esquema investigado, sendo responsável por movimentações relacionadas à conta utilizada pela clínica NOT para receber recursos provenientes da Secretaria de Estado da Saúde.
O relatório afirma ainda que os elementos reunidos durante a investigação fortalecem a linha investigativa de que Gustavo Pontes teria permanecido como proprietário de fato da empresa, apesar de não constar formalmente no quadro societário.
As conclusões apresentadas pela Polícia Federal integram a investigação da Operação Estágio IV e ainda serão submetidas ao contraditório e à apreciação do Poder Judiciário.

A Operação Estágio IV apura supostas irregularidades envolvendo contratos e pagamentos realizados na área da saúde pública em Alagoas.
Até o momento, não há condenação definitiva em relação aos fatos narrados no relatório. Os investigados negam a prática de irregularidades e têm assegurados os direitos ao contraditório e à ampla defesa, conforme previsto na Constituição Federal.

O Francês News mantém espaço aberto para manifestação de Gustavo Pontes, Raul Pereira Lima e dos demais citados na investigação. Caso encaminhem posicionamento, esta reportagem será atualizada para incluir suas versões.
