Enquanto a conta de água sobe, moradores da zona rural de Alagoas ainda enfrentam a falta do básico: abrir a torneira

21 de julho de 2026 às 17:23
Política

Foto: assessoria

Por Redação com assessoria 

Nesta segunda-feira, o ex-prefeito de Maceió e pré-candidato ao governo de Alagoas, JHC, esteve em Dois Riachos e viu de perto uma realidade que ainda marca a vida de milhares de famílias no interior do estado: a falta de acesso à água tratada. No assentamento Boa Sorte, no povoado Pai Mané, ele visitou a casa de dona Irene e ouviu dela como é conviver diariamente com a escassez de um serviço tão básico.

O contraste chama atenção justamente porque, enquanto o valor da conta de água só aumenta em Alagoas, o acesso ao serviço continua distante da realidade de muita gente. Dados oficiais mostram que mais de 800 mil alagoanos vivem sem abastecimento de água.

Esse déficit começa justamente na zona rural, onde cerca de 60% da população não é atendida pelo serviço. Nas áreas urbanas, a cobertura sobe pra 81%, mas mesmo assim o estado como um todo fecha a conta com apenas 73,3% de cobertura, um número abaixo da média registrada pelos estados vizinhos do Nordeste. O cenário piora quando se olha pra outro dado: 66,9% da água tratada se perde na distribuição, antes mesmo de chegar às torneiras da população.

O peso no bolso e o histórico da tarifa

Enquanto o acesso segue limitado, o custo do serviço vem numa trajetória de alta constante. No fim de 2020, antes da BRK assumir a operação em Maceió, a tarifa mínima de água, referente a um consumo de até 10 m³, era de R$ 49,70. Hoje, esse valor já está em R$ 76,40, uma alta nominal de 53%.

Esse peso na conta já era sentido há alguns anos. Em 2023, Maceió aparecia como a quarta capital brasileira com a água mais cara do país, atrás apenas de Salvador, Fortaleza e Porto Alegre. Na época, a tarifa média em Alagoas estava em R$ 6,78 por metro cúbico.

Esgoto: um problema ainda maior

Se o cenário da água já preocupa, o do esgotamento sanitário é ainda mais grave. Apenas 22,3% da população alagoana tem acesso a rede de esgoto. Na zona rural, esse índice praticamente desaparece, caindo pra 3,3%.

A história por trás dos números

É nesse contexto que vive dona Irene, de 47 anos, mãe de oito filhos e avó de 14 netos, no assentamento Boa Sorte. Ela divide com a família uma casa simples, de apenas dois quartos, onde a água não chega de forma regular. "Quando a água acaba, vamos buscar no riacho, de água salgada (salobra)", contou. Além da falta de água, a comunidade também convive sem energia elétrica e sem atendimento médico por perto.

Durante a visita, JHC criticou duramente a atual gestão do saneamento no estado. "Está faltando água pra população e sobrando incompetência do Governo de Alagoas. Criaram o problema ao entregar o saneamento pra BRK sem pensar na qualidade do serviço. Pior: aumentou a conta. É muito descaso", disse.

Sem abastecimento garantido, tarefas básicas como cozinhar, tomar banho, lavar roupas e manter a higiene da casa dependem inteiramente da pouca água que essas famílias conseguem armazenar ou buscar por conta própria. Enquanto muita gente discute o valor que paga na conta de água, dona Irene enfrenta um problema ainda mais duro: pra ela, no momento, não há água nem se pagar.

A rotina dela resume bem o desafio que Alagoas ainda precisa enfrentar. O estado convive com um déficit de mais de 800 mil pessoas sem acesso à água tratada, cobertura reduzida nas áreas rurais, perdas altas na distribuição e uma oferta de esgotamento sanitário que mal chega à população. Mais do que discutir valores de tarifa, o desafio segue sendo garantir que a água chegue a quem, até hoje, ainda espera por esse direito básico.