Escândalo das moradias: Isnaldo Bulhões usa Minha Casa, Minha Vida como quintal político e controla indicação de centenas de casas em Alagoas

16 de junho de 2026 às 12:22
Política

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Redação

Com cúpula dominada por aliados do deputado do MDB, duas associações rurais ganham o poder de escolher os beneficiários de contratos milionários do Ministério das Cidades e escancaram esquema de tráfico de influência

O programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) Rural virou centro de uma forte polêmica em Alagoas. Documentos oficiais de seleção do Ministério das Cidades revelam um cenário que aponta para o uso político da máquina pública. Apenas duas entidades privadas, cujas cúpulas são diretamente ligadas ao deputado federal Isnaldo Bulhões (MDB), conseguiram concentrar o direito de indicar quem vai morar em pelo menos 300 unidades habitacionais espalhadas por várias regiões do estado.

Os dados expostos nas portarias do programa mostram como a Associação dos Produtores Rurais da Flexeiras e Região (ASFLER) e a Associação dos Pequenos Produtores de Flecheiras (PROFEX) ganharam praticamente o monopólio da seleção dos beneficiários das moradias rurais liberadas pelo governo federal para Alagoas.

A rota das indicações e o carimbo do MDB

O volume de unidades direcionadas para o controle do mesmo grupo impressiona pelo alcance geográfico coordenado. A ASFLER, registrada sob o CNPJ 29.715.949/0001-50, garantiu o poder de escolha das famílias para três municípios diferentes:

50 casas em Canapi

50 casas em Penedo

50 casas em Porto Real do Colégio

Seguindo exatamente o mesmo roteiro, a PROFEX, sob o CNPJ 05.863.292/0001-00, abocanhou a mesma autoridade de distribuição em outros contratos idênticos:

50 casas em São Miguel dos Campos

50 casas em Ouro Branco

50 casas em Porto Real do Colégio

O caso de Porto Real do Colégio chama ainda mais atenção, pois o município teve 100 moradias rurais entregues ao controle seletivo dessas duas associações parceiras.

Tráfico de influência na mira

A denúncia que ganha força nos bastidores do estado aponta que o projeto virou uma farsa para garantir currais eleitorais, já que quem define o destino das chaves são as entidades aliadas. Sendo Isnaldo Bulhões o "homem da vez" do MDB junto aos ministérios em Brasília, o parlamentar teria usado seu trânsito livre no Ministério das Cidades para carimbar as propostas das organizações que orbitam seu grupo político, dando a elas a caneta para escolher os futuros moradores.

Quem acompanha a liberação de verbas habitacionais sabe que pequenas associações de agricultores historicamente enfrentam barreiras burocráticas imensas para conseguir participar do programa. No entanto, para as organizações ligadas ao deputado emedebista, o caminho parece ter sido facilitado, deixando o poder de barganha política concentrado nas mãos de poucos, enquanto dezenas de outras comunidades carentes continuam sem voz em Alagoas.

Esse direcionamento do direito de escolha liga o alerta para a necessidade de fiscalização rigorosa por parte dos órgãos de controle federal, já que os indícios sugerem que critérios políticos e de apadrinhamento atropelaram a triagem técnica de vulnerabilidade social que deveria reger o programa. Vale destacar que Bulhões é alidado do pré-candidato ao governo de Alagoas, Renan Filho.