Mala de dinheiro, Sururugate e folha milionária: Polêmicas cercam Marcelo Victor e a Assembleia de Alagoas
Por Redação
A Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE) voltou a ficar sob os holofotes e a enfrentar uma enxurrada de questionamentos. O motivo não é apenas a gastança de R$ 109,9 milhões com gratificações de cargos comissionados no primeiro quadrimestre de 2026, mas sim o fantasma de velhos e novos escândalos que decidiram reaparecer e assombrar a gestão do presidente da Casa, o deputado estadual Marcelo Victor (MDB).
Com despesas totais que já passam dos R$ 204,7 milhões neste ano e uma dança das cadeiras acelerada nas contratações — foram 187 nomeações em maio e mais 118 nos primeiros dias de junho —, a dinheirama reacendeu o debate sobre o uso da máquina pública na Casa de Tavares Bastos.
A polêmica mala de dinheiro vivo de 2022
O episódio mais ruidoso que voltou a circular com força nas redes sociais foi a famosa abordagem da Polícia Federal a Marcelo Victor em um hotel de luxo de Maceió, durante as eleições de 2022. Na ocasião, os agentes federais apreenderam R$ 146,6 mil em dinheiro vivo, além de listas de nomes e farto material de campanha.
Vídeos daquela operação voltaram a viralizar nos últimos dias por páginas de notícias. Na época, o deputado negou tudo e disse que foi vítima de uma "armação policialesca", mas o assunto ferveu de novo porque a Justiça Eleitoral acabou de mandar o processo andar e determinou o prosseguimento das investigações por suspeita de compra de votos.
O fantasma da Operação Sururugate
Como desgraça pouca é bobagem, as discussões sobre a folha milionária de 2026 também trouxeram à tona as piores lembranças do maior escândalo recente do Legislativo alagoano: a Operação Sururugate, estourada pela PF em 2017.
O esquema consistia em fraudar a folha da Assembleia incluindo servidores fantasmas e laranjas. A polícia descobriu que beneficiários de programas sociais e agricultores tinham salários altíssimos cadastrados na Casa sem nem saberem de nada. O rombo investigado passou de R$ 150 milhões e, até hoje, novas denúncias de funcionários fantasmas continuam pipocando no estado.
Escudo político nas redes sociais
No meio desse turbilhão de gastos e investigações, Marcelo Victor resolveu botar a cara nas redes sociais e reforçar os laços com seus padrinhos políticos. No último dia 10 de junho de 2026, ele publicou um manifesto em defesa dos senadores Renan Calheiros e Renan Filho, rebatendo críticas da oposição.
Ao rasgar elogios aos Calheiros, o chefe da Assembleia deixa claro que, mesmo emparedado por números astronômicos e cobranças da PF, ele continua jogando pesado como um dos principais e mais influentes aliados do grupo que comanda o MDB em Alagoas.