Família Dantas perde espaço na Assembleia e expõe enfraquecimento político de Paulo Dantas
Redação
Após quatro mandatos seguidos do clã de Batalha no Legislativo, governador cede à pressão de aliados, não consegue emplacar herdeiro direto e perde força no estado
O fim de uma era na Assembleia Legislativa de Alagoas escancara o momento de fragilidade política vivido pelo governador Paulo Dantas. Pela primeira vez após quatro mandatos consecutivos, a poderosa família Dantas, tradicional clã do município de Batalha, não terá um representante direto com o sobrenome da receita na Casa de Tavares Bastos, evidenciando que o atual chefe do Executivo estadual vai terminar seu ciclo sem a força necessária para impor seus próprios planos.
A ausência de um herdeiro direto na disputa é o resultado de uma engrenagem política em que Paulo Dantas acabou sendo o elo mais fraco. Para tentar segurar os seus planos futuros, o governador teve que ceder à pressão e fechar um acordo amarrado pelo presidente da Assembleia, Marcelo Victor, e pelo ministro Renan Filho — este último focado em pavimentar o seu próprio retorno ao Palácio República dos Palmares.
O recuo forçado interrompe uma sequência familiar que começou com dois mandatos de Luiz Dantas, pai do governador, e que hoje é ocupada por Carla Dantas. A deputada, inclusive, encerra sua passagem pelo Legislativo estadual de forma apagada e sem nenhum destaque político, deixando o caminho livre para que o clã apoie um nome de fora, o de Paulinho Mendonça, numa tentativa de não perder totalmente o espólio na região.
Ao aceitar o acordo que rifa seu próprio grupo familiar da Assembleia, Paulo Dantas demonstra que seu poder de barganha está em queda livre diante dos caciques que realmente mandam no estado. O governador caminha para a reta final do mandato sem conseguir projetar novas lideranças do seu sangue e expõe uma nítida perda de substância política no cenário alagoano.