Crise na BR-316: Famílias de Palmeira dos Índios recebem ordem de despejo e denunciam falta de indenização
Por Redação
O que deveria ser um dos maiores investimentos em mobilidade, logística e infraestrutura de Alagoas transformou-se em um cenário de desespero e incertezas para dezenas de moradores em Palmeira dos Índios. A tão aguardada obra de duplicação da BR-316 virou alvo de grave polêmica após a população local ser surpreendida com notificações de despejo para a liberação das faixas de domínio onde os trabalhos serão executados.
A denúncia do caso ganhou forte repercussão nesta quinta-feira (4) por meio das redes sociais do influenciador digital Ryan Ícaro, que conta com mais de 1 milhão de seguidores. Revoltado com a situação, o produtor de conteúdo expôs que mais de 90 famílias residentes na Avenida Muniz Falcão receberam os comunicados oficiais e enfrentam o fantasma da desocupação forçada.
Versões conflitantes sobre indenizações e prazos
O principal ponto de conflito entre os moradores e as autoridades gira em torno da compensação financeira pelas moradias. De acordo com a denúncia, órgãos oficiais alegam que os valores referentes às indenizações já foram devidamente repassados aos proprietários. A informação, no entanto, é rebatida de forma veemente pelos populares, que afirmam não ter recebido qualquer quantia.
O clima é de forte apelo social e comoção entre os atingidos. Em registros gravados na região, um dos moradores relatou que agentes do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) foram os responsáveis por colher as assinaturas nas notificações. Enquanto relatos iniciais apontavam uma pressão de 30 dias, os documentos oficiais assinados dão um prazo de 90 dias para a retirada definitiva das famílias de suas residências.
“Para onde eu vou, vou morar embaixo da ponte?”, desabafou um dos moradores afetados pela medida na Avenida Muniz Falcão.
Obra estratégica e histórico de abandono
O projeto executivo de duplicação da rodovia federal ganhou forte projeção e destaque nacional durante a gestão do ex-ministro dos Transportes Renan Filho (MDB). O emedebista sempre defendeu a intervenção como uma bandeira estratégica para estrangular os índices de acidentes e impulsionar o fluxo socioeconômico do interior do estado.
Apesar do peso político da proposta, o canteiro de obras vinha se arrastando em ritmo lento e encontrava-se totalmente paralisado até o início desta semana. A letargia dos trabalhos já era motivo de frequentes reclamações por parte de motoristas e transeuntes devido aos perigosos desníveis na pista asfáltica e à severa falta de sinalização ao longo da via — problemas estruturais que agora dividem espaço com o drama social das famílias notificadas.