O "Governador do Pix": Dantas institucionaliza a compra de apoio e debocha da Justiça Eleitoral
Por Redação
“Quem gosta de Pix aí?”: a frase, disparada em tom de apresentador de programa de auditório, não veio de um animador de festas, mas do próprio Governador de Alagoas, Paulo Dantas. Durante um evento oficial de Dia das Mães em Rio Largo, neste domingo (10), o que deveria ser uma homenagem institucional transformou-se em um espetáculo de populismo rasteiro. Ao distribuir 50 transferências de R$ 200 como se fossem um "presente" pessoal e do senador Renan Calheiros, Dantas não apenas flertou com a ilegalidade; ele atropelou a liturgia do cargo para converter a máquina pública em um comitê de campanha a céu aberto.
A cena é um retrato fiel da política que resiste ao tempo em Alagoas: o uso da necessidade do povo como moeda de troca. Ao personalizar recursos e distribuir dinheiro vivo sem critérios técnicos ou transparência, o governador ignora a Lei 9.504/97 e desafia abertamente o Ministério Público Eleitoral. Em um estado que clama por políticas estruturantes, ver o chefe do Executivo apelar para o assistencialismo digital de última hora soa como um atestado de desespero frente ao crescimento de vozes que pedem mudança.
A estratégia é clara: em uma sucessão que se desenha como a mais difícil para seu grupo político em mais de uma década, o governo parece ter trocado o plano de gestão pelo comprovante de transferência. Resta saber até quando as instituições permitirão que o "Pix eleitoral" seja usado para mascarar a ausência de um projeto de estado que vá além da manutenção de um clã no poder.