Paulão ficará sozinho na disputa pela reeleição após fracasso nas articulações da janela partidária
Por Redação
O deputado federal Paulão (PT) chegou ao fim da janela partidária sem os reforços que buscava e com a chapa mais fraca do que o planejado. As negociações não deram certo, aliados saíram e a meta eleitoral segue ambiciosa para um cenário considerado difícil dentro do próprio partido.
A principal aposta era trazer o deputado federal Daniel Barbosa para o PT, numa estratégia para fortalecer a composição eleitoral de Paulão. Mas Daniel recusou. "Eu fui procurado pelo PT, assim como por outras siglas, mas eu tenho meu objetivo claro e pelo bem do povo e de meu grupo, achei por bem permanecer onde estou", disse ao EXTRA. O prefeito de Arapiraca, Luciano Barbosa, também atuou para manter o filho no PP, onde ele disputa espaço numa chapa liderada por Arthur Lira, que busca uma vaga no Senado.
Havia ainda resistência interna à possível entrada do advogado Lucas Barbosa na federação do PT, com avaliação de que isso comprometeria outros nomes com densidade eleitoral. No fim, Daniel e Lucas permaneceram no PP.
As turbulências não pararam por aí. A família Gonçalves, de Rio Largo, chegou a negociar a filiação ao PT. A possibilidade de entrada do grupo gerou reação imediata: Samia Barbosa e Dudu Albuquerque anunciaram rompimento em nota intitulada "Sem Princípios Não há Chapa" e migraram para o MDB. Gabi Gonçalves e o ex-prefeito Gilberto Gonçalves, que chegaram a se reunir com Paulão em seu gabinete, acabaram não ficando no partido.
Com o cenário reorganizado, Paulão assume a responsabilidade de estruturar uma chapa própria. A meta interna é entre 160 mil e 180 mil votos, quantitativo necessário para viabilizar a eleição de um deputado federal. O desafio é grande: em 2022, o parlamentar obteve cerca de 65 mil votos.
Antes de decidir pela reeleição, Paulão chegou a avaliar disputar o Senado em 2026. A mudança de estratégia veio após interlocução com o presidente nacional do PT, Edinho Silva, o dirigente estadual Ronaldo Medeiros e o presidente Lula, que orientaram concentrar esforços na manutenção da bancada federal.