Cerco da Polícia Federal se fecha sobre suspeita de desvio de recursos no PT de Alagoas
Por Redação
A Polícia Federal iniciou a fase de oitivas no inquérito que apura o suposto uso irregular de recursos do Fundo Partidário e do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) no diretório estadual do PT em Alagoas. Pessoas envolvidas com o diretório da legenda já foram convocados para prestar depoimento ao delegado responsável, marcando um avanço na apuração do caso.
A investigação tem origem em denúncia apresentada em 2024 e posteriormente formalizada junto ao Ministério Público Federal (MPF), com base em representação do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE). Os elementos reunidos apontam para possível desvio de finalidade na aplicação de verbas públicas durante o período eleitoral.
De acordo com a denúncia, cerca de R$ 474 mil do fundo partidário teriam sido destinados ao escritório de advocacia vinculado ao filho do então presidente estadual da sigla, Ricardo Barbosa, além de indícios de favorecimento a outros aliados por meio de contratações relacionadas à campanha. As despesas estão sob análise e integram a prestação de contas do pleito de 2024 ainda em tramitação no Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas.
O caso tramita em duas frentes. Na esfera penal, a apuração está sob responsabilidade do Ministério Público Eleitoral, que avalia possíveis crimes previstos no Código Eleitoral. Já no âmbito cível e administrativo, o MPF investiga eventual prática de improbidade administrativa, com possibilidade de ressarcimento ao erário.
Em parecer anterior, o procurador regional eleitoral Marcelo Jatobá Lobo classificou os fatos como graves e destacou que, embora a contratação de parentes não seja proibida, exige comprovação de legalidade, economicidade e interesse público. Ele também determinou o envio do material à Procuradoria da República em Alagoas para aprofundamento das investigações.
Com a coleta de depoimentos em andamento, a Polícia Federal busca consolidar provas e esclarecer a destinação dos recursos. O avanço da investigação amplia a pressão sobre os envolvidos e pode resultar, em caso de confirmação das irregularidades, em responsabilização nas esferas civil e criminal.