Antes de ser presa por tráfico, "Cavalona do Pó" já havia aplicado golpe de R$ 65 mil em venda falsa de carro

20 de março de 2026 às 09:20
Polícia

Foto: reprodução

Por Redação 

Antes mesmo de ser apontada como peça-chave em um esquema milionário de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, a empresária e influenciadora Mirian Mônica da Silva Viana, conhecida como “Cavalona do Pó”, já havia sido condenada pela Justiça por estelionato. A sentença, de 2019, determinou pena de um ano de reclusão e 10 dias-multa, a ser cumprida em regime aberto.

De acordo com o processo, a vítima relatou que, em fevereiro de 2019, encontrou um anúncio de venda de um Hyundai Creta e iniciou negociação de forma remota. O comprador chegou a se encontrar pessoalmente com um indivíduo que se passava pelo proprietário do veículo. Após demonstrar interesse, toda a negociação passou a ocorrer via WhatsApp.

Orientado pelo suposto vendedor, a vítima realizou depósitos em contas indicadas por Mirian, acreditando tratar-se de uma transação legítima. No entanto, ao tentar retirar o carro, descobriu que havia sido enganado. O prejuízo foi de R$ 65 mil. Segundo o depoimento, as contas utilizadas pertenciam a “laranjas”. O dinheiro nunca foi recuperado.

Presença em esquema de tráfico

Anos após a condenação, Mirian voltou a ser alvo das autoridades, desta vez no centro de uma investigação mais complexa. Ela foi presa em 15 de dezembro de 2025, em Rio Verde (GO), durante uma abordagem da Polícia Rodoviária Federal. Dois veículos viajavam em conjunto. O carro em que Mirian estava atuava como “batedor”, enquanto outro transportava cerca de 29,7 kg de skunk escondidos na estrutura do automóvel.

As investigações apontam que a droga saiu de Manaus (AM) com destino a Brasília (DF), e que os envolvidos atuavam de forma coordenada.

Lavagem de dinheiro e ostentação

Além do transporte de entorpecentes, a empresária também é suspeita de utilizar uma loja de calçados para movimentar recursos provenientes do tráfico. A apuração identificou que a empresa recebeu valores de diversos investigados ligados ao tráfico no Distrito Federal, incluindo integrantes associados à apreensão de grandes quantidades de haxixe que deram origem à operação policial.

Nas redes sociais, Mirian ostentava uma rotina incompatível com sua renda declarada. Em dezenas de publicações, exibia viagens internacionais, resorts de alto padrão, passeios de lancha e experiências de luxo em destinos frios e praias paradisíacas. As imagens reforçavam uma aparência de sucesso empresarial, agora vista pelos investigadores como possível fachada para ocultação de dinheiro ilícito.

Estrutura criminosa

A investigação começou após a apreensão de mais de 47 kg de haxixe no Distrito Federal e revelou uma estrutura criminosa que atuava como entreposto de drogas, abastecendo traficantes em diversas regiões. O grupo utilizava empresas de fachada, “laranjas” e plataformas ilegais de apostas para movimentar e lavar dinheiro em diferentes estados do país.

Após ser alvo de prisão temporária, Mirian passou a cumprir prisão domiciliar em março de 2026, por decisão judicial. A Polícia Civil segue investigando o caso e não descarta novas fases da operação.