Governo Paulo Dantas gastou quase R$ 1 bilhão em plantões extras na Saúde em 2025, mais que o dobro da folha salarial
Por Francês News
O Governo de Alagoas pagou mais de R$ 776 milhões em plantões extras na Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) somente no ano de 2025. O levantamento, feito com exclusividade pelo portal Francês News, revela que os gastos com plantões superaram em mais de duas vezes o valor total pago com a folha salarial da pasta no mesmo período.
Enquanto os plantões extras custaram R$ 776.196.159,68 aos cofres públicos, o pagamento de salários dos servidores da saúde somou R$ 369.911.722,96 em 2025. Somados, os dois valores ultrapassam R$ 1,1 bilhão gastos apenas com pessoal na Sesau no ano passado.
A rede de hospitais controlada pela Secretaria inclui unidades de referência em todo o estado, como o Hospital Geral do Estado Professor Osvaldo Brandão Vilela (HGE), em Maceió; o Hospital de Emergência do Agreste (HEA), em Arapiraca; o Hospital da Mulher, o Hospital Metropolitano de Alagoas (HMA) e o Hospital Ib Gatto Falcão, em Rio Largo. A lista inclui ainda as unidades mistas de Piranhas, Água Branca e Delmiro Gouveia, além dos hospitais regionais do Norte (Porto Calvo), da Mata (União dos Palmares) e o Hospital Antenor Serpa (Delmiro Gouveia).
Os números vêm a público em meio a uma crise na pasta. Em dezembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a Operação Estágio IV, que apontou indícios de desvio de mais de R$ 100 milhões em recursos da Saúde. O inquérito detalhou um esquema que teria beneficiado a clínica NOT, da qual o então secretário Gustavo Pontes de Miranda mantinha controle oculto, segundo as investigações. A empresa é acusada de faturar valores superfaturados e repassar recursos ilícitos, em um esquema que envolvia fraudes em licitações e ocultação de bens de luxo, incluindo dinheiro vivo e uma pousada.
Na ocasião, Pontes foi afastado do cargo por 180 dias por determinação da Justiça. O governador Paulo Dantas (MDB) divulgou nota afirmando que "não compactua com irregularidades" e criou uma comissão para acompanhar as investigações.
Dois meses depois, no entanto, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) concedeu liminar suspendendo o afastamento e determinando o retorno de Gustavo Pontes à Secretaria de Saúde . A decisão do ministro Antonio Saldanha Palheiro atendeu a um habeas corpus da defesa, que alegou nulidade na investigação: a PF teria iniciado as apurações em abril de 2024 sem comunicar o tribunal competente – no caso, o Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5) –, o que seria obrigatório por se tratar de autoridade com foro privilegiado.
O governador Paulo Dantas assinou o decreto de retorno no dia 20 de fevereiro, e o nome do secretário voltou a constar no Diário Oficial do Estado a partir do dia 23 . No dia da solenidade de abertura dos trabalhos na Assembleia Legislativa, Pontes apareceu sorridente ao lado de Dantas e do presidente da Casa, Marcelo Victor (MDB), em uma imagem que repercutiu negativamente nos bastidores.
O retorno do secretário gerou críticas de setores da sociedade e da imprensa local. Em blogs e colunas políticas, a volta de Pontes ao comando da pasta foi classificada como "afronta" às investigações da Polícia Federal e ao povo alagoano. A decisão do STJ, no entanto, é liminar e o mérito do caso ainda será julgado. Enquanto isso, Pontes segue no cargo, e as investigações sobre o desvio dos R$ 100 milhões continuam em aberto.
O portal Francês News procurou a Secretaria de Comunicação do Estado (Secom/AL) e a matéria será atualizada assim que o órgão der um retorno.