Quem é Filipe Martins, ex-assessor de Bolsonaro que voltou à prisão por ordem de Moraes

02 de janeiro de 2026 às 11:01
Política

Filipe Martins teve prisão preventiva decretada por Moraes - Foto: Artur Max/MRE

Por Redação com agências

Filipe Martins, ex-assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República no governo Jair Bolsonaro (PL), voltou a ser preso nesta sexta-feira (2/1) por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A prisão preventiva foi determinada após o descumprimento de medidas cautelares, entre elas a proibição do uso de redes sociais.

Martins havia sido condenado a 21 anos de prisão pelo STF por participação na trama golpista investigada após as eleições de 2022. Apesar da condenação, ele cumpria a pena em regime domiciliar, benefício que acabou revogado com a nova decisão judicial.

Na decisão, Moraes afirmou que o ex-assessor demonstrou “total desrespeito pelas normas impostas e pelas instituições constitucionalmente democráticas”, ao violar as restrições determinadas pela Justiça. Segundo o ministro, o comportamento de Martins afronta não apenas as medidas cautelares, mas “todo o ordenamento jurídico”.

Filipe Martins integra o grupo de réus condenados no julgamento do chamado núcleo 2 da tentativa de golpe. De acordo com as investigações, esse núcleo era responsável pela elaboração da chamada “minuta do golpe”, além de ações de monitoramento e articulações para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

As apurações também apontam que integrantes do grupo discutiram planos de assassinato contra Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o próprio ministro Alexandre de Moraes, além de articulações dentro da Polícia Rodoviária Federal para dificultar o deslocamento de eleitores do Nordeste durante o segundo turno das eleições de 2022.

Em delação premiada, o tenente-coronel Mauro Cid afirmou que Filipe Martins foi o responsável por apresentar a minuta de decreto golpista a Jair Bolsonaro, após a confirmação da vitória de Lula. O relato foi considerado peça-chave nas investigações conduzidas pelo STF.

Martins também já esteve no centro de outras controvérsias. Em 2021, durante uma sessão do Senado Federal, foi acusado de fazer um gesto associado à supremacia branca. Ele chegou a ser denunciado ao Ministério Público Federal, mas acabou absolvido pela 12ª Vara Federal Criminal do Distrito Federal.

Formado em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (UnB), Filipe Martins construiu carreira ligada à política externa e à análise internacional. Em perfis profissionais, se apresentava como professor de Política Internacional, analista político e assessor da Presidência, além de relatar atuação como assessor econômico na Embaixada dos Estados Unidos entre 2014 e 2016.

Ele também ocupou cargos no governo de transição de Bolsonaro, atuou como secretário de Assuntos Internacionais do PSL e lecionou em cursos preparatórios, com foco em política internacional e segurança.

Com a nova decisão, Filipe Martins retorna ao sistema prisional, enquanto segue respondendo às condenações impostas pelo Supremo Tribunal Federal.