Maceió não registra mortes maternas em 2025 e lidera resultado entre capitais do Nordeste
Francês News
Maceió não registrou mortes maternas ao longo de 2025 e foi a única capital do Nordeste a alcançar o resultado, segundo levantamento divulgado nesta sexta-feira (6) pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Os números foram extraídos do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), mantido pelo Ministério da Saúde.
Além da capital alagoana, Rio Branco, no Acre; Palmas, no Tocantins; e Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, também terminaram 2025 sem registros de óbitos maternos. Em Maceió, a redução foi expressiva: o município havia contabilizado oito mortes no ano anterior.
Os dados de 2025 ainda são preliminares. O próprio Ministério da Saúde informa que a consolidação oficial dos indicadores de mortalidade ocorre aproximadamente 15 meses após o encerramento do ano analisado, período necessário para revisão, investigação e qualificação dos registros. DATASUS
Mortalidade infantil também caiu
O levantamento apresentado pela Prefeitura mostra ainda uma redução nas mortes de crianças menores de um ano. O número caiu de 166, em 2024, para 154, em 2025 — diminuição de 7,2%.
Para a coordenadora de Atenção à Saúde da Mulher da SMS, Suzângela Mendonça, os resultados estão relacionados ao acompanhamento das gestantes desde o início do pré-natal e à integração entre as unidades básicas e os serviços especializados.
“Esse índice histórico é fruto de um trabalho contínuo na ponta, que começa no primeiro atendimento do pré-natal e se estende até a retaguarda especializada. Mostramos que, com organização, gestão eficiente e foco na prevenção, é possível transformar a realidade da saúde pública em Maceió”, afirmou.
Prefeitura aponta estratégias adotadas
Entre as medidas relacionadas pela Secretaria Municipal de Saúde estão a vinculação das gestantes às maternidades no início da gravidez, a organização do fluxo para encaminhar pacientes de alto risco ao ambulatório do Hospital da Cidade e a disponibilização de exames para identificar precocemente possíveis complicações.
A rede municipal também adotou diretrizes da Rede Alyne, política do Sistema Único de Saúde que substituiu e ampliou a antiga Rede Cegonha. A estratégia articula assistência no pré-natal, parto, puerpério e primeiros anos de vida da criança, com atenção especial à redução das desigualdades raciais e territoriais.
O trabalho inclui os chamados Dez Passos do Cuidado Obstétrico, com medidas para reconhecer precocemente fatores de risco, tratar síndromes hipertensivas, prevenir infecções, reduzir cesarianas desnecessárias e acompanhar as mulheres após o parto.
Desafio é manter resultado até 2030
A ausência de mortes maternas em 2025 coloca Maceió abaixo da meta prevista no Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número 3, da Organização das Nações Unidas. O compromisso brasileiro é reduzir a razão de mortalidade materna para, no máximo, 30 mortes a cada 100 mil nascidos vivos até 2030.
O resultado de um único ano, entretanto, não significa que a meta tenha sido definitivamente cumprida. A manutenção do indicador depende da continuidade do pré-natal, da assistência segura ao parto, da identificação de emergências e do acesso rápido a unidades de referência.