Após protestos de trabalhadores, ALE debate concessão da Ceasa nesta quarta-feira
Por Francês News
Após protestos de trabalhadores e comerciantes contra a concessão da Ceasa à iniciativa privada, a Assembleia Legislativa de Alagoas realizará uma sessão pública para discutir a proposta nesta quarta-feira (14), às 10h. O encontro será no Plenário Rubens Canuto, o Plenarinho, na sede do Legislativo.
Solicitada pelo deputado Delegado Leonam (União Brasil), a sessão tratará do Projeto de Lei nº 2.123/2026, enviado pelo Governo de Alagoas. A proposta autoriza a concessão de uso oneroso do complexo, localizado na Forene, em Maceió.
O debate ocorre depois da mobilização de permissionários, servidores e funcionários que, na quinta-feira (8), saíram da central em um comboio de caminhões e carros até a sede do Ministério Público de Alagoas. Os manifestantes cobraram informações sobre o projeto e garantias para quem trabalha no local.
Comerciantes levaram questionamentos ao MPAL
Na mesma data, representantes da Associação dos Comerciantes da Ceasa de Alagoas (Asconcal) foram recebidos pelo procurador-geral de Justiça, Lean Araújo. A entidade questionou os estudos que fundamentam a concessão e os possíveis impactos financeiros para os comerciantes e o Estado.
Nesta terça-feira (13), o Diário Oficial do MPAL publicou um despacho encaminhando o requerimento da associação à Assessoria Técnica para análise e parecer. O documento não detalha as solicitações nem anuncia uma medida para suspender o projeto.
Também na sessão de quinta-feira (8), Leonam pediu o adiamento da discussão na Assembleia. Com isso, a matéria ficou fora da pauta nas duas sessões seguintes. Agora, o deputado propõe ouvir os setores envolvidos e discutir os efeitos da concessão.
Prazo e cobranças preocupam trabalhadores
O projeto prevê uma concessão de 30 anos, com possibilidade de prorrogação por mais 30. A futura empresa assumiria a operação, a gestão e a exploração econômica do complexo.
Para os permissionários regulares, as condições atuais seriam preservadas nos dois primeiros anos. Depois, os valores de ocupação poderiam ser ajustados conforme os preços de mercado.
Segundo os trabalhadores, a Ceasa reúne cerca de 500 permissionários e gera aproximadamente 5 mil empregos diretos. Eles temem que cobranças maiores comprometam a permanência dos pequenos comerciantes e tenham reflexos nos preços dos alimentos. A categoria defende melhorias na estrutura, mas com manutenção da gestão pública.
Em nota já divulgada pelo Francês News, o Governo de Alagoas afirmou que não pretende vender a Ceasa e que a concessão foi precedida por estudos da Fundação Getúlio Vargas, iniciados em 2024. O modelo mantém a propriedade do complexo com o Estado.