Vitória do CRB termina em correria, tapumes derrubados e denúncias de excesso policial no Rei Pelé

16 de setembro de 2026 às 10:02
Política

Foto: reprodução

Por Redação

O que deveria ser só a comemoração de uma vitória virou cena de pânico nas arquibancadas do Estádio Rei Pelé. Depois do apito final da partida entre CRB e Sport, na noite desta terça-feira (15), torcedores dos dois clubes protagonizaram um confronto que resultou em barreiras derrubadas, policiais cercados e uso de bombas e balas de borracha para conter a confusão. O CRB havia vencido por 2 a 1, resultado que valia pela 28ª rodada da Série B.

Vídeos que circularam nas redes sociais logo depois do jogo mostram cenas de tensão: estruturas de contenção no chão, torcedores avançando sobre áreas que deveriam estar isoladas e policiais militares encurralados justamente no setor reservado à torcida visitante. Em um dos registros, é possível ver um agente sendo atingido no rosto em meio à confusão.

Para conter a situação, a Polícia Militar usou bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e munição de elastômero, mais conhecida como bala de borracha. O objetivo era dispersar os grupos e impedir que as torcidas organizadas dos dois times chegassem a se encontrar fisicamente. Até o momento, não existe um balanço oficial sobre eventuais feridos, pessoas identificadas ou detidas.

Briga pode ter começado ainda no intervalo

Segundo relatos e imagens publicadas pela imprensa de Alagoas, o primeiro sinal de problema surgiu bem antes do fim do jogo, ainda durante o intervalo. Integrantes de uma torcida organizada do Sport teriam forçado a abertura de portões e entrado no setor destinado aos visitantes sem passar pelo procedimento normal de revista.

Na ocasião, o número de policiais presentes no local era menor do que o de torcedores, e cânticos remetendo a uma "invasão" chegaram a ser registrados durante a movimentação.

Tensão explode após o fim da partida

Foi depois do apito final, porém, que a situação realmente saiu do controle. Torcedores da organizada pernambucana avançaram contra o tapume que separava a arquibancada alta, encurralando os policiais responsáveis por manter a divisão entre os setores. As imagens mostram a estrutura sendo derrubada enquanto os agentes tentavam sair do meio da confusão. Foi nesse momento que a PM lançou bombas de efeito moral para afastar o grupo e evitar que os torcedores alcançassem o setor ocupado pela torcida do CRB.

Do outro lado, uma organizada regatiana também se movimentou em direção ao portão que dá acesso à área próxima ao setor dos visitantes. A polícia conseguiu dispersar esse grupo antes que houvesse contato direto entre as duas torcidas.

Ao todo, a confusão durou cerca de dez minutos, mas foi tempo suficiente para espalhar pânico entre quem nada tinha a ver com o confronto. Famílias deixaram seus lugares às pressas, tentando escapar da correria e do gás que se espalhou pelas arquibancadas, segundo apurou o ge.

Sportistas dão outra versão para o início do tumulto

Torcedores do Sport, no entanto, contam uma história diferente sobre como tudo começou. Segundo eles, a movimentação no setor visitante foi uma reação ao avanço de integrantes da torcida do CRB sobre a área que separava os dois grupos, e não uma tentativa de invasão.

Membros da Torcida Jovem do Sport negam que a intenção fosse ocupar o espaço da torcida regatiana. Segundo esse grupo, o movimento foi de defesa, motivado pelo temor de uma aproximação da torcida rival.

Além da divergência sobre como o confronto começou, também surgiram denúncias contra a forma como a Polícia Militar agiu durante a dispersão e a saída do público do estádio. Torcedores relatam que bombas, spray de pimenta, balas de borracha e até golpes de cassetete teriam atingido pessoas que não tinham nenhuma relação com a briga, incluindo mulheres, idosos e crianças presentes no setor.

Há relatos também sobre a formação de um "corredor policial" na saída do estádio e sobre a permanência forçada da torcida visitante dentro do setor por mais de uma hora após o fim da partida. Essas acusações, até o momento, não foram confirmadas oficialmente e ainda dependem de apuração.

CRB cobra identificação dos envolvidos

Em nota, o CRB repudiou os episódios de violência, depredação e desrespeito registrados dentro e fora do Estádio Rei Pelé. O clube afirmou que integrantes da torcida visitante danificaram equipamentos de contenção, invadiram a área que separava os setores e chegaram a agredir policiais militares. A diretoria alvinegra também defendeu que os responsáveis sejam identificados e devidamente responsabilizados pelos atos.

Até a última atualização desta reportagem, nem o Sport nem a Polícia Militar de Alagoas haviam se manifestado oficialmente sobre o ocorrido ou respondido às acusações feitas pelos torcedores visitantes. O espaço segue aberto para posicionamento do Sport, da corporação policial, da administração do Estádio Rei Pelé e das torcidas organizadas mencionadas no episódio.