Após expor crise na oncologia, Conselho cobra plano estadual e pagamentos atrasados na Saúde de Alagoas
Francês News
Depois de apontar problemas na assistência a pacientes com câncer em Alagoas, o Conselho Estadual de Saúde (CES/AL) avançou nas cobranças e passou a exigir da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) medidas concretas para enfrentar a situação da oncologia no Estado.
Resoluções do Conselho publicadas no Diário Oficial do Estado desta terça-feira, 25 de agosto de 2026, cobram da Sesau a elaboração de um Plano Estadual de Oncologia, a regularização de pagamentos em atraso a hospitais e prestadores de serviços e a adoção de medidas para ampliar a oferta de leitos destinados a pacientes com câncer.
A nova publicação aprofunda as informações reveladas anteriormente pelo Francês News sobre os problemas identificados pelo próprio Conselho Estadual de Saúde na rede de oncologia.
Segundo as resoluções, o câncer é a segunda principal causa de morte em Alagoas e o Estado enfrenta crescimento na demanda por atendimento especializado. O Conselho também aponta insuficiência de leitos clínicos, cirúrgicos e de UTI destinados aos pacientes oncológicos.
As cobranças foram formalizadas após análises realizadas pela Comissão de Ação à Saúde do CES/AL nos serviços de oncologia do Hospital Metropolitano e do Hospital Carvalho Beltrão.
Nos documentos, o Conselho cobra soluções para problemas relacionados ao acesso dos pacientes, à regulação de leitos, à falta de profissionais e aos pagamentos devidos aos hospitais que prestam atendimento oncológico.
Uma das principais exigências é a elaboração de um Plano Estadual de Oncologia, instrumento que deverá organizar a assistência e estabelecer estratégias para ampliar e qualificar o atendimento aos pacientes com câncer.
O Conselho também decidiu cobrar a regularização dos pagamentos em atraso aos prestadores de serviços de oncologia.
Divergência no número de leitos
No caso do Hospital Metropolitano, o CES/AL apontou uma divergência entre a quantidade de leitos oncológicos informada oficialmente pela Sesau e o número de vagas efetivamente encontrado durante visita técnica realizada pela Comissão de Ação à Saúde.
A resolução aprovada pelo Conselho cobra explicações para a diferença e determina a adoção de estratégias para ampliar a disponibilidade de leitos destinados ao tratamento de pacientes com câncer.
Já em relação ao Hospital Carvalho Beltrão, o Conselho também pediu informações detalhadas sobre os profissionais que atuam na oncologia, incluindo a relação nominal, a carga horária e o vínculo de trabalho.
As resoluções ainda tratam da necessidade de reorganização dos contratos entre o Estado, os municípios e os hospitais prestadores de serviços, com definição mais clara das responsabilidades e acompanhamento dos contratos.
Diante dos problemas identificados, o Conselho Estadual de Saúde também decidiu criar uma Câmara Técnica de Oncologia para acompanhar a situação dos serviços no Estado.
As medidas foram aprovadas pelo CES/AL e posteriormente homologadas pelo secretário de Estado da Saúde, Gustavo Pontes de Miranda Oliveira.
A publicação no Diário Oficial transforma em cobranças formais as preocupações já apresentadas pelo Conselho sobre a assistência oncológica em Alagoas e aumenta a pressão sobre a Sesau para apresentar respostas sobre a situação dos leitos, dos contratos, dos pagamentos e da estrutura destinada ao tratamento de pacientes com câncer.