PCAL pagou R$ 40 mil em passagens que incluíam Gustavo Xavier enquanto delegado estava afastado pela Justiça

18 de agosto de 2026 às 07:37
Alagoas

Francês News

A Polícia Civil de Alagoas pagou R$ 40.124,13 em passagens aéreas de viagens que incluíam o delegado-geral Gustavo Xavier do Nascimento, sendo R$ 33.541,05 referentes a uma viagem para São Luís (MA) e R$ 6.583,08 para Foz do Iguaçu (PR). Os pagamentos ocorreram quando Xavier já estava afastado do cargo por determinação da Justiça Federal da Paraíba, no âmbito de uma investigação sobre supostas fraudes em concursos públicos.

O afastamento cautelar foi determinado em 30 de março de 2026, pela 16ª Vara Federal da Paraíba, inicialmente por 60 dias. A decisão foi tomada durante a investigação que envolve Gustavo Xavier e outro policial civil de Alagoas.

R$ 33,5 mil pagos após o afastamento

A primeira despesa envolve uma viagem realizada antes do afastamento. Gustavo Xavier e outros quatro policiais viajaram de Maceió para São Luís, entre 8 e 10 de fevereiro, para uma visita técnica a órgãos da Polícia Militar do Maranhão.

Embora a viagem tenha ocorrido antes da decisão judicial, o pagamento só foi efetivado em 23 de abril, quando Xavier já estava afastado da chefia da Polícia Civil. A Ordem Bancária nº 2026OB00888 registra pagamento de R$ 33.541,05 à empresa Propag Turismo Ltda.

O empenho dessa despesa foi emitido em 12 de março, também antes do afastamento, no mesmo valor. O documento registra que as passagens eram destinadas a Gustavo Xavier e aos policiais Antonio Carlos Lins Vasco, Rodrigo Alexandre Leal da Silva, Adjeferson Pessoa Alves e Gilson Alves de Oliveira Neto.

Viagem cancelada a Foz do Iguaçu também foi paga

O caso mais sensível envolve uma viagem para Foz do Iguaçu, inicialmente programada para 26 de abril a 1º de maio, com Gustavo Xavier e os policiais Carlos Bráulio Lopes Idalino e Edel Fernandes Coelho de Magalhães.

O processo registra que as passagens foram canceladas por motivos de ordem pessoal, com geração de crédito para futura remarcação. O cancelamento foi formalizado pela Assessoria Especial de Passagens Aéreas da AMGESP em 23 de abril, já durante o afastamento de Xavier.

Mesmo assim, a Polícia Civil posteriormente liquidou a despesa de R$ 6.583,08, em 30 de abril, referente à fatura emitida em 28 de abril.

O pagamento foi efetivado em 14 de maio, por meio da Ordem Bancária nº 2026OB01088, também no valor de R$ 6.583,08. O documento bancário registra a despesa como “PAGA”.

Afastamento ocorreu em investigação da PF

A Justiça Federal prorrogou posteriormente por mais 60 dias o afastamento de Gustavo Xavier, atendendo a pedido do Ministério Público Federal. O MPF afirmou que a medida buscava evitar possíveis interferências nas investigações sobre o suposto esquema de fraudes em concursos públicos.

A decisão também mencionou a preocupação com a realização do concurso da própria Polícia Civil de Alagoas, então em andamento. O afastamento, contudo, não representa condenação e Xavier permaneceu no quadro da corporação como delegado.

A documentação analisada não permite afirmar, por si só, que houve irregularidade nos pagamentos. O principal questionamento é por que a despesa de uma viagem cancelada continuou sendo liquidada e paga e qual foi o destino do crédito gerado pelo cancelamento. A Polícia Civil também deve esclarecer por que o pagamento da viagem a São Luís ocorreu quando Xavier já estava afastado da chefia.