Apontada pela PF como "possível amante" de Gustavo Pontes recebeu R$ 15,2 mil líquidos da Assembleia de Alagoas em maio

01 de julho de 2026 às 07:40
Polêmica

Andreia Araújo Cavalcante durante passeio na Europa.. Foto: divulgação

Francês News

A investigação da Polícia Federal que apura um suposto esquema de desvio superior a R$ 100 milhões na Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (Sesau) ganha um novo capítulo.

Documentos obtidos pelo Francês News mostram que Andreia Araújo Cavalcante, apontada pela Polícia Federal como "possível amante" do secretário estadual da Saúde, Gustavo Pontes de Miranda Oliveira, continuava recebendo remuneração da Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE) pelo menos até maio de 2026.

A informação consta na folha de pagamento referente ao fechamento mensal de maio deste ano, na qual Andreia aparece vinculada ao cargo de Assessor Administrativo Especial, função para a qual foi nomeada em 2023.

Salário líquido ultrapassou R$ 15 mil

De acordo com o espelho da folha de pagamento da Assembleia Legislativa, Andreia recebeu R$ 17.438,00 em créditos durante o mês de maio.

Após os descontos de R$ 988,00 de Previdência Pública e R$ 1.217,00 de Imposto de Renda, além de outras retenções que totalizam R$ 2.205,00, o rendimento líquido registrado foi de R$ 15.233,00.

O documento também informa que o valor referente ao cargo comissionado foi de R$ 8.719,00, sem registro de vantagens pessoais, indenizações ou vantagens eventuais.

A folha confirma ainda que Andreia ingressou no quadro da Assembleia em 2023, informação compatível com a portaria de nomeação publicada naquele ano.

Nome apareceu na investigação da Polícia Federal

O nome de Andreia Araújo Cavalcante passou a ganhar repercussão nacional após a deflagração da Operação Estágio IV, realizada pela Polícia Federal em dezembro de 2025.

No relatório da investigação, ela é identificada pelos investigadores como "possível amante" de Gustavo Pontes e apontada como uma das pessoas que integrariam a estrutura investigada.

Segundo a Polícia Federal, Andreia teria recebido transferências bancárias, adquirido uma residência avaliada em R$ 1,69 milhão em Brasília e figuraria em mensagens e movimentações financeiras analisadas durante a investigação.

O relatório também registra a existência de um Pix de R$ 50 mil, além de outros pagamentos que, conforme a linha investigativa, podem estar relacionados ao suposto desvio de recursos públicos oriundos de contratos da clínica NOT com a Secretaria da Saúde.

Documento atualiza informação divulgada em 2025

Quando a Operação Estágio IV foi deflagrada, em dezembro de 2025, havia a informação de que Andreia exercia cargo comissionado na Assembleia Legislativa, mas não havia confirmação pública sobre sua permanência na folha de pagamento.

O documento obtido agora pelo Francês News demonstra que ela continuava vinculada ao Legislativo estadual pelo menos até maio de 2026, recebendo remuneração como assessora administrativa especial.

A reportagem procurou a Assembleia Legislativa de Alagoas para esclarecer se Andreia Araújo Cavalcante permanece no cargo atualmente, qual gabinete solicitou sua nomeação e quais atividades ela exerce. O espaço permanece aberto para manifestação.

Investigação continua

O secretário estadual da Saúde, Gustavo Pontes, chegou a ser afastado do cargo durante a Operação Estágio IV, mas retornou à função após decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que suspendeu a medida cautelar.

A investigação atualmente tramita na Justiça Estadual após decisão do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5).

A defesa de Gustavo Pontes nega qualquer irregularidade, sustenta que o inquérito apresenta nulidades processuais e afirma que os fatos serão esclarecidos no curso da ação. Até o momento, não há condenação definitiva contra os investigados.