Delegado-geral de AL é apontado por delator como mentor de esquema de fraudes em concursos
Por Redação
A Polícia Federal revelou nesta terça-feira (24) um novo capítulo da investigação que acusa o delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas, Gustavo Xavier do Nascimento, de envolvimento com uma quadrilha especializada em fraudar concursos públicos. Segundo a PF, o nome do delegado aparece em uma delação premiada como alguém que, ao descobrir a organização criminosa, optou por não prender os envolvidos e passou a se beneficiar da estrutura de fraudes.
O caso foi detalhado no programa Fantástico, da TV Globo. A investigação aponta que parentes e aliados do delegado teriam sido aprovados irregularmente em concursos com o auxílio do esquema.
A delação
O principal operador do esquema, segundo a PF, é Thyago José de Andrade, apontado como chefe da organização criminosa. Preso em uma das fases da operação, ele firmou acordo de delação premiada e apresentou informações que mudaram o rumo das investigações.
Em seu depoimento, Thyago afirmou que Gustavo Xavier, quando ainda atuava como delegado em Arapiraca, presidiu uma investigação contra ele. Segundo o relato, o delegado teria obtido um mandado de prisão, mas, em vez de cumpri-lo, exigiu que o investigado passasse a trabalhar para ele, fraudando concursos públicos em benefício de pessoas ligadas ao delegado.
A delação também aponta que as ordens para a realização das fraudes não eram transmitidas diretamente por Gustavo Xavier, mas por homens de confiança, entre eles Ramon Isidoro Soares Alves, investigador da Polícia Civil de Alagoas.
Beneficiários
Segundo a investigação, parentes e amigos do delegado teriam sido contemplados pelo esquema:
-
Ayally Xavier, esposa de Gustavo Xavier, teria tentado ingressar na Polícia Civil de Alagoas por meio de concurso para delegada. Durante a prova, ela teria utilizado um ponto eletrônico para receber respostas. O equipamento, no entanto, não teria funcionado, e a candidata entregou a prova em branco.
-
Outros familiares e aliados também teriam sido beneficiados com aprovações irregulares em concursos públicos.
Mecanismos das fraudes
A Polícia Federal identificou diferentes estratégias utilizadas pelo grupo para garantir a aprovação de candidatos:
-
candidatos fantasmas: pessoas pagas para fazer as provas no lugar dos inscritos
-
pontos eletrônicos: dispositivos usados para repasse de respostas durante os exames
-
acesso antecipado a cadernos de questões, gabaritos e temas de redação, inclusive com violação de lacres de provas
Os valores cobrados variavam conforme o cargo pretendido, podendo chegar a R$ 500 mil. O grupo atuava em seleções de alto nível em diversos estados, incluindo concursos para tribunais, bancos públicos e cargos federais.
Operação
Na última fase da operação, policiais federais cumpriram mandados de prisão em Alagoas, Paraíba e Pernambuco, incluindo a detenção de professores que, segundo a investigação, resolviam as provas para os candidatos. O delegado-geral Gustavo Xavier foi alvo de busca e apreensão.
Procurado
O Fantástico procurou a Delegacia-Geral da Polícia Civil de Alagoas para entrevistar o delegado, mas foi informado de que ele estava fora e sem previsão de retorno. A equipe também foi a endereços ligados a Ramon Isidoro Soares Alves, mas não o encontrou.