Promessas abatidas: União dos Palmares continua sem matadouro após anos de anúncios vazios do governo estadual
Por Redação
União dos Palmares volta a ser palco de mais um capítulo do velho roteiro político alagoano: promessa feita, discurso ensaiado e nenhuma obra no chão. Em pleno início de 2026, o matadouro municipal segue inexistente, apesar de ter sido anunciado repetidas vezes por diferentes gestores do mesmo grupo político.
A mais recente promessa veio do possível candidato a deputado estadual, Paulinho Mendonça, aliado direto do governador Paulo Dantas, que afirmou que as obras do Matadouro de União “vão começar em breve”. A frase é conhecida pela população local, que escuta variações do mesmo discurso desde pelo menos 2015.
Paulo Dantas, ainda como governador tampão em 2022, já havia prometido tirar o projeto do papel. Antes dele, Renan Filho, então governador e hoje ministro dos Transportes, anunciou recursos, regionalização do abate e a conclusão de matadouros em obras. Nada foi entregue.
Enquanto autoridades celebram projetos inexistentes, a realidade é dura. Até hoje, produtores de União dos Palmares precisam levar bois para abate em Ibateguara ou até para outros estados, elevando custos e empurrando pequenos criadores para a informalidade.
O histórico é alarmante. Em 2016, um abatedouro clandestino foi flagrado em União dos Palmares em condições insalubres, com carcaças expostas e descarte irregular de resíduos. O responsável foi preso em flagrante, evidenciando o risco sanitário ignorado pelo poder público.
Em 2019, o cenário se agravou: mais de dois mil bois de Alagoas passaram a ser abatidos mensalmente em Sergipe, Pernambuco e Bahia após o fechamento de matadouros municipais. O problema, reconhecido oficialmente, continuou sem solução prática.
Renan Filho chegou a anunciar a liberação de R$ 30 milhões para resolver a crise, pegando carona em um projeto iniciado ainda no governo Teotonio Vilela Filho. Passada uma década, o dinheiro virou promessa, e a promessa virou silêncio.
Tratar o Matadouro de União como “investimento estratégico” apenas no discurso é desrespeito com produtores, consumidores e com a saúde pública. União dos Palmares não precisa de mais anúncios. Precisa, urgentemente, de obra, cronograma e responsabilidade.