Lula fica fora da assinatura do acordo Mercosul–União Europeia e delega representação ao chanceler

16 de janeiro de 2026 às 20:16
Política

Apesar da ausência na cerimônia, Lula recebeu Ursula von der Leyen nesta sexta-feira (16), no Rio de Janeiro. - Foto: Ricardo Stuckert/ Presidência da República

Por Redação com agências 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não participará da cerimônia de assinatura do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, prevista para este sábado (17), em Assunção, no Paraguai. O Brasil será representado no evento pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.

Entre os países do bloco sul-americano, Lula será o único chefe de Estado ausente na solenidade, que reunirá a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, além dos presidentes da Argentina, Uruguai, Bolívia e Paraguai, atual presidente pro tempore do Mercosul.

Na avaliação do Palácio do Planalto e do Itamaraty, a ausência não compromete o peso político do Brasil no processo. Isso porque Lula se reuniu, nesta sexta-feira (16), no Rio de Janeiro, com Ursula von der Leyen, encontro considerado mais relevante do ponto de vista diplomático do que a formalização do acordo.

Segundo a diplomacia brasileira, o entendimento sempre foi de que a assinatura deveria ocorrer em nível ministerial. De acordo com interlocutores do governo, houve uma tentativa do Paraguai de elevar o evento ao patamar presidencial nos últimos dias, mas a posição do Brasil foi mantida.

Nos bastidores, a estratégia também busca reforçar o protagonismo brasileiro nas negociações e consolidar a imagem de Lula como principal articulador do acordo, priorizando registros políticos ao lado das lideranças europeias.

Durante o encontro no Rio, o presidente afirmou que o acordo é resultado de “25 anos de tentativas e sofrimento” e destacou que o pacto envolve compromissos que vão além do comércio, como democracia, Estado de Direito e direitos humanos. Von der Leyen classificou o acordo como histórico e creditou ao Brasil papel central na condução das tratativas.

Outro elemento considerado pelo Planalto foi o contexto político regional. Assessores apontam que a ausência em Assunção também evita a exposição conjunta com o presidente argentino, Javier Milei, com quem Lula mantém uma relação institucional marcada por distanciamento.